Título

Narrativas autobiográficas de mulheres Kalunga: tecendo fios da memória biocultural quilombola na Licenciatura em Educação do Campo

Programa Pós-graduação
Educação em Ciências
Nome do(a) autor(a)
Jader de Castro Andrade Rodrigues
Nome do(a) orientador(a)
Maria Rita Avanzi
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Os saberes e fazeres socioambientais quilombolas perpassam os caminhos investigativos deste
estudo. O objetivo principal foi a busca por um encontro com a memória biocultural Kalunga, por meio
de narrativas autobiográficas de mulheres licenciandas da Educação do Campo da Faculdade UnB de
Planaltina - DF. Essa busca se justifica pela importância desses saberes e fazeres socioambientais
para a educação em ciências em propostas que busquem quilombolizar a Educação Ambiental,
reconhecendo-os como patrimônio socioambiental de uma comunidade que tem enfrentado desafios e
transformações ao longo do tempo. Os caminhos teórico-metodológicos da pesquisa se baseiam na
perspectiva decolonial, bem como nos fundamentos da pesquisa participante e do método biográfico.
A pesquisa aconteceu em três etapas investigativas, a primeira de aproximação ao universo da
LEdoC/FUP e as duas seguintes em conformidade ao calendário acadêmico da Turma “Gabriela
Monteiro”, respeitando a Pedagogia da Alternância do curso: Tempo Universidade e Tempo
Comunidade. Na segunda etapa, além da observação participante, houve a realização de oficina de
construção de narrativas autobiográficas, que revelou a presença de um corpo território carregado de
memórias da infância com brincadeiras que envolvem elementos do Cerrado e relatos sobre as
dificuldades de deslocamento em busca de escolas na cidade de Cavalcante-GO. A oficina favoreceu
a reflexão acerca de suas histórias de vida e da transmissão oral desses saberes socioambientais que
são indissociadas de suas ancestralidades. Na terceira etapa, durante o Tempo Comunidade,
realizamos entrevistas no território, onde foi possível compreender que as experiências acadêmicas e
comunitárias narradas pelas estudantes Kalunga revelam um processo de transformação e
empoderamento, associado à formação na LEdoC/FUP e à autoidentificação quilombola. A memória
biocultural se manifesta de maneira intrínseca na vida dessas mulheres, moldando suas práticas
cotidianas, suas visões de mundo e suas jornadas formativas na Educação Básica e no Ensino
Superior. Sendo assim, esse processo consolida nossa tese de que a memória biocultural é um
elemento central na elaboração de uma proposta de Educação Ambiental Quilombola, contribuindo
para a construção de processos educativos inclusivos, decoloniais e antirracistas comprometidos com
a valorização da diversidade socioambiental no Brasil.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Modalidade: Regular