Título
Narrativas autobiográficas de mulheres Kalunga: tecendo fios da memória biocultural quilombola na Licenciatura em Educação do Campo
Os saberes e fazeres socioambientais quilombolas perpassam os caminhos investigativos deste
estudo. O objetivo principal foi a busca por um encontro com a memória biocultural Kalunga, por meio
de narrativas autobiográficas de mulheres licenciandas da Educação do Campo da Faculdade UnB de
Planaltina - DF. Essa busca se justifica pela importância desses saberes e fazeres socioambientais
para a educação em ciências em propostas que busquem quilombolizar a Educação Ambiental,
reconhecendo-os como patrimônio socioambiental de uma comunidade que tem enfrentado desafios e
transformações ao longo do tempo. Os caminhos teórico-metodológicos da pesquisa se baseiam na
perspectiva decolonial, bem como nos fundamentos da pesquisa participante e do método biográfico.
A pesquisa aconteceu em três etapas investigativas, a primeira de aproximação ao universo da
LEdoC/FUP e as duas seguintes em conformidade ao calendário acadêmico da Turma “Gabriela
Monteiro”, respeitando a Pedagogia da Alternância do curso: Tempo Universidade e Tempo
Comunidade. Na segunda etapa, além da observação participante, houve a realização de oficina de
construção de narrativas autobiográficas, que revelou a presença de um corpo território carregado de
memórias da infância com brincadeiras que envolvem elementos do Cerrado e relatos sobre as
dificuldades de deslocamento em busca de escolas na cidade de Cavalcante-GO. A oficina favoreceu
a reflexão acerca de suas histórias de vida e da transmissão oral desses saberes socioambientais que
são indissociadas de suas ancestralidades. Na terceira etapa, durante o Tempo Comunidade,
realizamos entrevistas no território, onde foi possível compreender que as experiências acadêmicas e
comunitárias narradas pelas estudantes Kalunga revelam um processo de transformação e
empoderamento, associado à formação na LEdoC/FUP e à autoidentificação quilombola. A memória
biocultural se manifesta de maneira intrínseca na vida dessas mulheres, moldando suas práticas
cotidianas, suas visões de mundo e suas jornadas formativas na Educação Básica e no Ensino
Superior. Sendo assim, esse processo consolida nossa tese de que a memória biocultural é um
elemento central na elaboração de uma proposta de Educação Ambiental Quilombola, contribuindo
para a construção de processos educativos inclusivos, decoloniais e antirracistas comprometidos com
a valorização da diversidade socioambiental no Brasil.