Título
Dissertação/Tese: Conhecimentos e atitudes ambientais: estudo através da interco- nexão entre a Educação em Ciências e a Educação Ambiental
O debate sobre as Mudanças Climáticas Globais (MCG) e suas consequências apontam para
urgentes ações visando a sua mitigação e intervenção em relação ao impacto ambiental dos
seres humanos na natureza. Os processos de ensino e aprendizagem na Educação Ambiental
(EA) e a Educação em Ciências (EC) podem levar à Alfabetização Científica (AC) ao mobilizar
conhecimentos e atitudes que favorecem a autonomia, a contextualização e o pensamento
crítico. O problema de pesquisa que orientou essa tese de doutorado consistiu na investigação
sobre de que modos a EC e a AC podem contribuir com a construção de conhecimentos
científicos, bem como no desenvolvimento de atitudes ambientais em estudantes da educação
básica. Desse modo, tive como objetivo geral a compreensão e verificação de como a
abordagem investigativa contribui para o desenvolvimento de conhecimentos científicos e
atitudes ambientais. Utilizei a abordagem com Métodos Mistos e design sequencial
explanatório, pois os dados qualitativos e quantitativos são complementares nas diferentes
etapas da pesquisa. Em relação aos objetivos a que se propõe, a pesquisa se classifica como
exploratório-descritiva, pois investiguei ideias, atitudes e conceitos que esclareçam melhor o
fenômeno pesquisado com métodos da pesquisa bibliográfica, estudos comparativos e design
quase-experimental. Considerei a divisão da pesquisa em duas etapas: a) estudo comparativo
entre Brasil e Alemanha do tipo survey com adolescentes e adultos (N = 658); e b) e a aplicação
de uma Sequência de Ensino Crítico-Investigativo estruturada com a estratégia didática da
Rotação por Estações (SECI-RPE) sobre MCG com estudantes da educação básica (N = 242)
de quatro escolas públicas da região metropolitana de Porto Alegre (RS). Apliquei diferentes
técnicas para a coleta e análise de dados: um questionário do tipo escala likert sobre atitudes
ambientais; um questionário fechado sobre conhecimentos ambientais; observação direta;
notas de campo; estatística descritiva e inferencial e os Indicadores da Alfabetização Científica
(IAC). Na literatura da EC e da EA, verifiquei uma lacuna de pesquisas quantitativas sobre as
atitudes ambientais, que se revelaram antropocêntricas e/ou utilitaristas em relação à natureza.
Nos diferentes documentos curriculares nacionais e regionais, identifiquei o apagamento da
concepção brasileira da EA em detrimento da concepção internacional amplamente difundida
da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Em uma aplicação inédita em
pesquisas da EA e EC no Brasil, os dados coletados pelos questionários utilizados
demonstraram validade em novo contexto cultural para os quais foram adaptados e traduzidos.
Os resultados da abordagem investigativa que executei apontam que as médias de escores em
conhecimentos ambientais são mais elevadas nos(as) estudantes que participaram da
intervenção didática. Ainda, os(as) participantes com mais atitudes pró-ambientais
apresentaram maior capacidade de retenção de conhecimentos ambientais. Em relação às
atitudes ambientais, verifiquei que existem diferenças entre jovens politicamente engajados,
mas não um efeito positivo direto da abordagem investigativa implementada. Sugiro que a
abordagem investigativa sobre MCG oportunizou o contato dos(as) participantes com
conhecimentos e habilidades relacionadas ao trabalho com dados de uma investigação
científica, à estruturação do pensamento e ao entendimento da situação investigada. Por fim,
defendo que as diferentes formas de conhecimento e de vivências em relação ao meio ambiente
precisam ser contempladas em práticas educativas da EA e EC com o objetivo de se investigar
a relação proximal do conhecimento com as atitudes e com o comportamento pró-ambientais
durante e após o processo da AC no contexto escolar.