Título
Ensino de História e educação ambiental: palavras de um Xamã Yanomami como manhas para ocupar e decolonizar a BNCC
Esta pesquisa analisou as orientações teórico-metodológicas que estão presentes
na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tendo em vista o tema da educação
ambiental na sua relação com a disciplina de História no Ensino Médio. Nossa
problemática teve como foco principal avaliar a maneira conforme a qual a relação
humano-natureza aparece nas prescrições da Base para a área de Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas. Para dar conta destas questões, além de nos
debruçarmos sobre a BNCC, fizemos o mesmo sobre os documentos citados por
ela, a saber: Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) (1999), Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA) (2012) e Agenda 2030.
Como estratégia metodológica, produzimos uma espécie de cartografia para
analisar nosso corpus documental, buscando, dessa forma, traçar seu perfil
discursivo – o dito e o não dito, o manifesto e o silenciado, as expressões ausentes
e as expressões recorrentes. A maior parte das reflexões que fizemos a partir desta
pesquisa foram guiadas pelas lentes teóricas da rede modernidade/colonialidade. A
principal conclusão deste trabalho apontou para o caráter colonizado e colonizador
da BNCC, sobretudo quando foram levadas em conta as prescrições que
aproximam o ensino de História da educação ambiental. Como parte propositiva,
apresentamos, no formato de um relato de experiência, uma sequência didática com
dez encontros, elaborados a partir da cosmologia ameríndia expressa na obra A
queda do céu: palavras de um xamã yanomami (2015). À maneira decolonial,
recorremos a esta obra para efetuar um tipo de (in)versão de partes da história do
Brasil e por intermédio dela, colocar por terra a dicotomia ser humano-natureza que
o ensino de história herdou da tradição ocidental.