Título
A educação ambiental crítica na formação inicial do professor de Química: um diagnóstico das universidades públicas do nordeste brasileiro
No cenário de múltiplas tendências político-pedagógicas na Educação Ambiental – EA, das
incertezas e fragilidades provocadas pela velocidade dos acontecimentos e indicadores de
gravidade da crise socioambiental, questionamos: como as universidades públicas do nordeste
brasileiro realizam a EA nos cursos de formação inicial do professor de química. Para
alcançar a resposta a este problema de pesquisa, foi traçado como objetivo geral: analisar
quais os conhecimentos propostos nas licenciaturas em química, que pressupõem a
ambientalização curricular, as compreensões e aprendizagens identificadas pelos discentes e
docentes, relacionadas à problemática socioambiental, de dez universidades públicas do
nordeste brasileiro. Como objetivos específicos, foram definidos: a) compreender quais
conhecimentos pressupõem a ambientalização curricular dos Projetos Pedagógicos de Cursos
(PPC) de licenciatura em química de dez universidades públicas do nordeste brasileiro; b)
analisar quais compreensões e aprendizagens relacionadas à problemática socioambiental são
identificadas pelos discentes e docentes. As construções e fundamentos teóricos que
orientaram a pesquisa se filiam aos pressupostos epistemológicos da Teoria da Complexidade
e Diálogo de Saberes; na pedagogia crítica de Paulo Freire; na corrente de pensamento
político-pedagógico da Educação Ambiental Crítica – EAC; nas pesquisas sobre a
ambientalização curricular do ensino superior; e na aprendizagem significativa crítica. A
presente pesquisa classifica-se metodologicamente como de abordagem qualitativa, realizada
através de procedimentos reflexivos, interpretativos, críticos e de construção de novos saberes
e compreensões a partir do fenômeno estudado, caracterizada por ser do tipo descritiva e
documental. Para a coleta de dados foi utilizada a técnica de análise documental (10 PPC’s) e
aplicação de questionários eletrônicos aos docentes e discentes de dez cursos de licenciaturas
em química de dez universidades públicas do nordeste brasileiro. Para análise dos dados,
optou-se pela técnica de análise de conteúdo do tipo temática e uso dos Indicadores da Rede
ACES para tratamento dos documentos, e análise textual discursiva para análise das respostas
dos questionários. Para maior aprofundamento dos achados da pesquisa, foi utilizada a técnica
da triangulação. Os resultados apontam um processo paulatino de ambientalização curricular
no ensino superior, em relação ao currículo oficial (PPC’s). Alguns cursos mais avançados,
outros mais incipientes, mas todos ainda estruturados numa proposta epistemológica
disjuntiva do conhecimento, o que não se coaduna com a necessária visão complexa das
múltiplas causas dos problemas socioambientais. A pesquisa aponta que o currículo real,
revelado na voz dos docentes e discentes participantes, se aproximam das características da
macrotendência crítica da EA, desvelando compreensões mais reflexivas e críticas das
múltiplas causas da problemática socioambiental. Foi verificado que ainda há forte presença
das características das macrotendências conservadoras e pragmáticas da EA. O que, de um
lado, sinaliza o compromisso das universidades com a EA, mas de outro, aponta para a
necessidade de se promover avanços na implementação da EAC na formação inicial do
professor de química. Concluímos que a proposta político-pedagógica da EAC faz parte do
currículo real das licenciaturas em química. Em contrapartida, o currículo oficial, apesar de
sinalizar a previsão expressa da EA, não se coaduna com as características da macrotendência
crítica. Consideramos que são muitas as questões implicadas entre o currículo oficial e o real
praticado em sala de aula, que na presente pesquisa, desvelou ser o real, significativamente,
mais ambientalizado que o oficial. Acreditamos que a formação inicial do professor de
química deve enfatizar ainda mais a importância da EAC reflexiva, participativa e
transformadora, como componente integrador do currículo, estimulando a colaboração entre
todos os atores envolvidos no processo educativo (entre professores; entre professores e
alunos; e entre os alunos).