Título
Da flor ao pote: o que as Abelhas Sem Ferrão nos ensinam?
Essa pesquisa foi projetada com base na análise de um panorama ambiental desfavorável
às populações de abelhas sem ferrão, muito importantes na prestação de serviços
ecossistêmicos, bem como, bastante suscetíveis aos impactos ambientais decorrentes de
ações antrópicas, como desmatamento e uso indevido de agrotóxicos. Outro ponto
observado e de grande relevância para o desenvolvimento desse estudo, foi a gradativa
diminuição da criação dessas espécies como prática tradicionalmente desenvolvidas por
comunidades indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Diante de tal cenário, fez
surgir o questionamento, objeto de estudo dessa pesquisa: Como fazer da criação de
Abelhas Sem Ferrão uma ferramenta didática voltada à educação ambiental? O estudo
visou colaborar para construção de um conhecimento participativo, valendo-se da
meliponicultura como ferramenta didática, numa perspectiva agroecológica – de
preservação das espécies ameaçadas e conservação da biodiversidade, assim como da
valorização das práticas e saberes tradicionais e geração de renda. Por compreender a
escola como um espaço próprio para troca de saberes e aprendizagens, fundamental e
basilar no processo de formação de cidadãos críticos e reflexivos – para que estes possam
intervir de forma consciente e ética modificando a realidade que os rodeia – que o
ambiente escolar foi escolhido para a realização da pesquisa. Com a abordagem
metodológica da pesquisa-ação, o trabalho foi realizado com uma turma de 20 estudantes
matriculados do curso técnico em Agroecologia, em modalidade concomitante ao ensino
médio regular, sediado na instituição pública Centro Educacional Renato Pereira Viana,
localizado na sede do município de Lençóis – Chapada Diamantina – Bahia. Para tal,
foram realizadas rodas de conversas, aulas de campo e atividades teóricas e práticas.
Como produtos educacionais o trabalho entrega um protótipo de meliponário,
confeccionado pelos próprios estudantes ao longo do percurso metodológico, um kit
educacional e uma maquete de ninho de uruçu, para serem utilizados como recursos
didáticos em ações de educação ambiental. No decorrer desse estudo, foi possível
perceber um amadurecimento significativo dos estudantes envolvidos, corroborando a
importância do incentivo à educação e à pesquisa, bem como ao estímulo e à valorização
do protagonismo juvenil na formação dos sujeitos.