Título

Matopiba: conservação e agronegócio são conciliáveis na fronteira agrícola do cerrado?

Programa Pós-graduação
Ecologia
Nome do(a) autor(a)
Branca Maria Opazo Medina
Nome do(a) orientador(a)
Fabio Rubio Scarano
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O modelo predominante de produção agrícola em larga escala baseia-se em
grandes áreas de monoculturas com insumos químicos, consomem muita água
e substituem áreas de vegetação nativa por agricultura. O norte do Cerrado é
uma fronteira de expansão agrícola, na região MATOPIBA, que abrange o bioma
nos Estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Concentra a maior quantidade
de agricultores pequenos e familiares e de remanescentes do Cerrado, e as
maiores taxas de desmatamento, com grande expansão da produção de soja.
Há concentração de produção de soja, geração de riqueza, crescimento
econômico, terras, empresas do agronegócio, exportação da produção e
desmatamento. A produção de soja atrelada ao desmatamento, quase nunca
relacionada à distribuição de riqueza, ou ao desenvolvimento humano, reforçam
o questionamento acerca do tipo de desenvolvimento econômico conectado à
produção de soja no MATOPIBA. Ao contrário, as consequências negativas se
espalham: difusão de agrotóxicos, redução da disponibilidade hídrica, perdas de
biodiversidade, conflitos sociais, pobreza e intensificação da seca. Assim, é
necessário um conjunto de ações amplas, planejando caminhos que causem o
menor impacto ambiental, conciliando conservação da natureza, restauração
ecológica e redução da pobreza, visando adaptar a região às mudanças
climáticas. Os desafios para as sociedades se adaptarem às mudanças
climáticas tornam-se maiores à medida em que as mudanças ficam mais
presentes e intensas. Nas regiões onde essas mudanças se somam à
desmatamento e estabelecimento de grandes áreas de monocultivo de soja, é
estratégico considerar as áreas nativas como “infraestruturas verdes”, redes
multifuncionais de áreas naturais, seminaturais e restauradas, projetadas e
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gerenciadas visando conservar a biodiversidade, mitigar as emissões de gases
de efeito estufa, permitir a adaptação da sociedade às mudanças climáticas.
Nessa região há 3 grupos de municípios: “Verdes e Pobres”, “Desmatados e
Pobres”, “Desmatados e Ricos”. A partir dessa base, investigaram-se quais
obstáculos precisam ser superados para que cada um destes grupos se
desenvolva em direção a se tornar “Verdes e Ricos”. Relacionado esses grupos
às análises de exercícios de priorização para conservação da biodiversidade
restauração ecológica, definiram-se 4 regiões prioritárias para ações de
conservação ou restauração para: i. prover serviços ecossistêmicos para a
sustentabilidade da produção de soja no oeste baiano; ii. adaptar as regiões mais
vulneráveis às mudanças climáticas no Maranhão; iii. reverter passivos
ambientais e altas taxas de desmatamento em municípios com alto PIB no
Tocantins e iv. conservar a biodiversidade na parte central de MATOPIBA, na
divisa de MA e PI. Essas áreas totalizam 9.070.560,4 ha, 13,6% do Cerrado em
MATOPIBA. Recomenda-se que a prioridade em MATOPIBA seja preservar as
últimas grandes áreas de Cerrado existentes, com medidas e políticas que
considerem as inter-relações ambientais, ecológicas e sociais, através de
soluções baseadas na natureza.


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