Título
A (re)invenção dos processos educativos a partir das contribuições de uma educação ambiental crítica, significativa e transformadora: enfrentamentos possíveis às problemáticas socioambientais
Esta pesquisa tem por objetivo central apresentar formas de enfrentamento à
complexa crise socioambiental contemporânea a partir de processos educativos,
buscando as contribuições da Educação Ambiental Crítica, de um novo paradigma de
ciências e da compreensão da escola enquanto campo de disputas de projetos tendo
como referenciais que sustentam toda a investigação, as contribuições de Paulo Freire
e Boaventura de Sousa Santos, além de outros autores que apresentam sua
participação em temáticas específicas tratadas na tese. A metodologia utilizada é uma
abordagem qualitativa de análise bibliográfica interdisciplinar, realizada no estilo
bricolagem com inspirações na proposta de Joe Kincheloe, em que se trabalha nos
limites dos conhecimentos, fazendo conexões através das margens que existem nas
disciplinas, construindo uma análise onde não só as partes diferentes se juntam, mas
se conectam criando algo novo, considerando a problemática e o contexto da
pesquisa. Essa forma de pesquisar se apresenta como alternativa para temáticas
complexas como a da questão central desse estudo: como a Educação Ambiental
pode colaborar na (re)invenção dos processos educativos na escola e em outros
ambientes, intencionalizando a formação de sujeitos críticos e atuantes nas
problemáticas socioambientais da contemporaneidade? Foi proposto analisar a
questão a partir de cinco partes, as quais são apresentadas em forma de artigos,
independentes, mas conectados pelo objetivo central. O primeiro artigo analisa a
complexidade da crise socioambiental contemporânea a partir de um tripé
(epistemológico, ético-social, ambiental), que tanto a sustenta quanto aponta os
caminhos de enfrentamento. Para tal, constrói relações entre diferentes autores:
Edgar Morin, Humberto Maturana, Fritjof Capra, Anthony Giddens, Jürgen Habermas
e Niklas Luhmann. O segundo apresenta reflexões sobre a historicidade das
concepções de ciência e educação, defendendo a construção de um paradigma
emergente para ambas, que forme sujeitos críticos e atuantes na sociedade. Para tal,
os autores utilizados são: Thomas Kuhn, José C. Libâneo, Cipriano Luckesi e
Jaqueline Moll. O terceiro e quarto artigos buscam analisar a Educação Ambiental
Crítica (EAC) enquanto tendência que oferece os princípios filosóficos e
metodológicos para essa formação significativa e transformadora da realidade,
utilizando como autores Carlos F. Loureiro, Mauro Guimarães, David Ausubel, Marco
A. Moreira, Jean Piaget, entre outros. O quinto e último artigo apresenta as relações
teórico-metodológicas entre a EAC e o pensamento de Paulo Freire a partir de suas
obras, ressaltando alguns conceitos e noções freirianas que as aproximam de forma
complementar. São eles: temas geradores, práxis, conscientização, ser mais, inédito
viável, ética universal ou da responsabilidade. É discutido suas contribuições para a
(re)invenção dos processos educativos de forma a proporcionar a construção de
enfrentamentos às questões socioambientais das localidades, sem perder de vista os
problemas da esfera global. Construir enfrentamentos à crise socioambiental
contemporânea através de processos educativos perpassa pela ação numa complexa
rede, que vai desde uma mudança paradigmática na ciência e na educação, até um
compromisso ético entre os seres humanos e a natureza, em que a EAC se apresenta
como uma alternativa para consolidar uma nova forma de ser e estar no mundo.