Título
Retratos do Ensino de Ciências: (des)construções entre a Educação Ambiental Crítica e a Metodologia Artística de Pesquisa em Educação baseada em Fotografia
Para a educação ambiental, a fotografia pode ser um recurso empregado em atividades na educação básica, com a utilização de imagens reais, de aspectos relacionados ao ser humano. O objetivo desta tese foi investigar o uso da fotografia na educação básica como instrumento de ensino, aplicando pressupostos da educação ambiental crítica, tendo como pergunta de investigação "Quais as potencialidades do uso da fotografia na educação
básica como instrumento de ensino, aplicando pressupostos da educação ambiental crítica?". Foi analisado como a fotografia aparece no documento normativo da educação brasileira, a BNCC (2017). Em seguida, investigamos como a fotografia é abordada em cinco edições do ENPEC (2011 a 2019) e em teses e dissertações do Banco de Teses e Dissertações Brasileiras em Educação Ambiental (BT&D/EA) no período de 1981 a 2016. Durante o período de suspensão das aulas presenciais, provocado pela pandemia de COVID-19, realizamos uma oficina de forma remota, para alunos do nono ano do ensino fundamental com o uso de imagens captadas pelo celular. Como referencial
teórico consideramos a Educação Ambiental Crítica e a Metodologia artística de pesquisa em educação baseada em fotografia. Os resultados mostraram que na BNCC a fotografia está presente nos três níveis da educação básica,
sendo citada na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ainda que tenha maior presença no ensino fundamental. Sua presença foi mais frequente na área de linguagens, em especial no componente curricular língua
portuguesa. A análise dos anais do ENPEC revelou que as cinco edições do evento trouxeram trabalhos que abordaram a fotografia. Ensino de ciências e formação de professores foram os temas mais recorrentes na análise. Os
trabalhos analisados no BT&D/EA mostraram que os autores assumem a fotografia não como um instrumento artístico em sua pesquisa, e sim como tradicionalmente qualitativo. No relato de experiência aqui produzido, ficaram
evidentes as dificuldades e limitações que surgiram ao longo do processo de conduzir uma atividade fotográfica remotamente que impactou diretamente na adesão dos participantes. Questões como a autonomia para buscar outras fontes de informação para além da plataforma disponibilizada e a busca de apostilas impressas distribuídas pela escola para atingir alunos com dificuldade de acesso mostram uma tentativa de contornar as adversidades que se
materializaram. Emergiram temas como as relações humanas que se intensificaram nesse momento construídas no seio familiar; o desânimo e a opção limitada de lazer, que mesmo assim competem com as atividades escolares. Grande parte (72,7%) dos professores participantes da pesquisa relataram fazer uso da fotografia, de origem principalmente de sites, livros didáticos e de própria autoria. No entanto, houve predomínio do tipo extrínseco de uso. A pesquisa nos permitiu o encontro com outra forma de perceber o mundo e rever a própria produção científica, através da metodologia artística de pesquisa em educação baseada em fotografia.