Título
O essencial (in)visível: agricultura familiar (re)existent da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil
Esta pesquisa objetivou analisar as características socioeconômicas da agricultura familiar
no território Chapada Diamantina, Bahia. A partir desse diagnóstico foi possível apresentar uma
ferramenta político-pedagógica voltada à educação ambiental crítica. Trata-se de uma pesquisa
exploratória com abordagem quantitativa-qualitativa. O percurso metodológico adotado possui
quatro principais fases, a saber, 1)exploratória, 2)diagnóstico, 3)mobilidade acadêmica e
4)pesquisa-ação. Na fase 1, exploratória, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental
a fim de caracterizar o território Chapada Diamantina, e compreender a agricultura familiar na
história enquanto grupo social, em particular no Brasil. Constatou-se que os agricultores
familiares foram historicamente marginalizados, desconsiderados como agentes culturais,
detentores de saberes e práticas sustentáveis. Entretanto, estes sujeitos foram protagonistas de
muitas lutas pelos seus direitos. Na fase 2, diagnóstico, analisou-se os dados do último Censo
Agropecuário (IBGE, 2017) a fim de traçar o perfil socioeconômico da agricultura familiar na
Chapada Diamantina. O resultado da pesquisa mostrou que, atualmente, a agricultura familiar
é insustentável, pois seu potencial produtivo e reprodutivo é limitado pelo acesso precário à
terra, água, educação, assistência técnica, infraestrutura, tecnologias, etc. Neste contexto, a
implementação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar local é
essencial para combater a pobreza, evitar o êxodo rural e promover o desenvolvimento rural
sustentável. Já na fase 3, realizou-se a mobilidade acadêmica na região da Toscana, Itália, a fim
de conhecer e estudar as experiências e alternativas desenvolvidas na região voltadas à
agricultura familiar. Dentre as experiências bem sucedidas na zona rural da Toscana, e que
poderiam ser adotadas pela agricultura familiar da Chapada Diamantina, destacamos o
agriturismo como atividade econômica, uma vez que o território Chapada Diamantina é
essencialmente rural e possui uma forte e consolidada vocação para o turismo. Por fim, na fase
4, pesquisa-ação, desenvolveu-se uma ferramenta para promover a educação ambiental crítica,
colaborando para a transformação social do território. Construiu-se o projeto colaborativo
intitulado Chapada Agroecológica, que fundamenta-se na educomunicação como arcabouço
metodológico. O website foi concebido estrategicamente em colaboração com jovens de origem
de área rural, constituindo um locus de pesquisa e de experimentação de atividades
educomunicativas, de modo a instituir um espaço de informação, comunicação e reflexão sobre
a agricultura familiar local, na perspectiva da agroecologia. O conteúdo é composto pela
produção de um blog, do Bocapiu – o programa da agricultura familiar e de uma feira virtual.
Constatou-se que a educomunicação socioambiental é viável como uma metodologia de ensino
para o aprofundamento da educação ambiental crítica, uma vez que não desvincula a teoria da
prática, fomentando reflexões sobre as contradições socioambientais do território.