Título

Educação do campo e luta pela terra no contexto matopiba: um estudo de caso sobre o Acampamento Zequinha Barreto, no Oeste Baiano.

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Queina Lima da Silva
Nome do(a) orientador(a)
Ana Tereza Reis da Silva
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O tema desta dissertação é a Educação do Campo em contextos de luta pela terra. A pesquisa
constitui um estudo de caso sobre o papel desempenhado pela Educação do Campo no
processo de resistência e luta pela terra na comunidade Acampamento Zequinha Barreto,
situada no município de Barreiras-Ba. Para tanto, o estudo analisa de forma articulada os
seguintes aspectos: efeitos ambientais e sociais do avanço das agroestratégias sobre os meios
de produção material e simbólica da vida; estratégias acionadas pela comunidade para garantir
a permanência na terra; lugar da escola na vida da comunidade e o seu papel pedagógico e
político no processo de resistência. Para a coleta de dados foram utilizados: entrevista
semiestruturada; observação das dinâmicas sociais cotidianas; roda de conversa; análise
documental e diário de campo. Dentre os interlocutores que participaram da pesquisa estão:
moradores da comunidade, Coordenador da Agência 10envolvimento, professor da
Universidade Federal do Oeste Baiano e a docente que atuou na escola da comunidade. Com
base nos dados levantados e nas análises empreendidas, é possível afirmar que as
agroestratégias potencializadas pela fronteira agrícola do MATOPIBA, têm imprimido
mudanças substanciais às dinâmicas social e espacial do município de Barreiras, o que se
observa pelo flagrante aumento das desigualdades sociais e pelos impactos socioambientais –
muitos deles irreversíveis, como é o caso da diminuição das reservas hídricas e a extinção de
espécies da fauna e flora do cerrado. A crescente degradação socioambiental compromete os
modos de vida da população do campo, cuja sobrevivência e permanência no território
dependem da sustentabilidade do cerrado. Não obstante, a pesquisa indica que, mesmo diante
de condições adversas e provisórias e mesmo desassistida pelo Estado, a comunidade
Zequinha Barreto tem logrado resistir e cultivar a terra por meio de estratégias comunitárias,
diversificadas e criativas. A escola tem papel central nesse processo, pois é nela que se
materializam importantes dimensões da vida: é onde adultos, crianças e jovens aprendem e
ensinam a ler e escrever a palavra e o mundo; onde a lida com a terra e sua função social
convertem-se em temas geradores que animam o ato de aprender e de ensinar; é o lugar do
encontro comunitário, das festividades e da mobilização política. É também por meio da escola
que a comunidade torna-se visível para o Estado. Portanto, ela é, a um só tempo, uma
importante ferramenta de resistência, de formação política e de capacitação da comunidade
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para a produção material e simbólica da vida. Contudo, a recente nucleação da escola pelo
poder local tem incidido de forma negativa sobre a capacidade de articulação e mobilização da
comunidade. Além disso, o deslocamento das crianças para outras escolas as submete a um
processo de violência física e simbólica, com fortes relatos de racismos e discriminação, que
desencadeiam processos de evasão escolar e até mesmo de abandono da terra por famílias do
acampamento.


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