Título

Crítica da razão hídrica: multiplicando perspectivas e construindo futuros em bacias hidrográficas em crise no Distrito Federal

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Sustentável
Nome do(a) autor(a)
Denise Paiva Augustinho
Nome do(a) orientador(a)
Doris Aleida Villamizar Sayago
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2020
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O Distrito Federal sofreu com uma crise hídrica sem precedentes na sua história, no período de 2016 a 2018. Tendo esse fato histórico como ponto de partida para uma reflexão acerca de uma crise ainda mais profunda, é explorada ideia de uma crise da razão que se propõe governar a água, de uma razão unívoca. Inspirada pelos discursos da decolonialidade e Ecologia Política é apresentada uma Crítica da Razão Hídrica, pela qual se questiona a racionalização instrumental e economicista, que cria uma dimensão apartada do resto da vida denominada Recursos Hídricos. Abandonando a tradição fundamentada na teoria da ação racional, a matriz filosófica em revisão sugere a construção de outros modos de pensar a água, que pretende superar uma visão dicotômica entre natureza e sociedade. Essa matriz é fornecida pela Filosofia do Processo ou Cosmologia do pensamento Organísmico, a partir das contribuições filosóficas de Henri Bergson e de Alfred N. Whitehead. Em contraste com a ideia de ação racional, é proposto o conceito de ação criativa no seio dessa tradição filosófica, reivindicada como fundamento para novas abordagens em economia, governança e política. Desde a crítica das ideias de gestão e do uso racional de água, é pressuposto que a racionalidade por vir que busca governar os fluxos da água deve ser múltipla. Assim, o esforço empírico desta tese consiste justamente em compreender a multiplicidade de formas de arrazoamento com respeito a água e seu futuro. Por meio do Método Q, foram, então, identificadas quatro perspectivas na gestão da água, rotuladas como: (i) Água e Terra, (ii) Mea Culpa, (iii) Água Padrão e (iv) Precaução. Para essa metodologia foram entrevistados, na primeira e na segunda rodadas de entrevistas, respectivamente, 26 e 27 atores relevantes para a gestão de recursos hídricos do DF. São constatadas convergências, divergências e eventualmente conflitos entre as distintas perspectivas, mais ou menos convencionais nas práticas da gestão atualmente, e é discutido como essas perspectivas refletem novas práticas na gestão. Com vistas a ampliação das perspectivas sobre a razão hídrica, um segundo esforço empírico é desenvolvido com a metodologia experimental e especulativa Políticas da Natureza, que contou com a participação de 26 gestores e pesquisadores. Os novos modos de pensar a água em seus devires propõem uma maior sensibilização com respeito à integralidade ecossistêmica nos processos de gestão e de aprendizagem, com rebatimento na Educação Ambiental, pela qual busca dar sentido à inerência natureza-sociedade e a ideia de natureza como sujeito de direito, esta última possível de operacionalização com conceitos como Vazão Ecológica e Capacidade de Suporte dos territórios.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
22/08/2022