Título
Mudanças climáticas e educação ambiental: Uma pesquisa ação participativa com crianças e jovens de educação do campo
As mudanças climáticas estão impactando os ecossistemas do Planeta Terra, com efeitos devastadores. Trata-se de uma urgência socioambiental que exige ações responsáveis e ágeis para uma sensibilização das pessoas em suas práticas com os demais ecossistemas. O presente estudo articulou diálogos e reflexões ecossistêmicas entre a educação ambiental e a educação do campo no contexto das mudanças climáticas. Teve como objetivo compreender as percepções de crianças e jovens estudantes das escolas de educação do campo sobre as mudanças climáticas e refletir sobre suas contribuições para produção coletiva de conhecimentos e de capacidade adaptativa aos desafios impostos por estas mudanças. Realizou-se uma pesquisa ação participativa em duas escolas de educação do campo da rede pública do Distrito Federal, denominadas Campo 1 e Campo 2. No Campo 1, participaram do estudo cento e dez crianças, de seis a onze anos, alunas do primeiro ao quarto ano do Ensino Fundamental I. Utilizou-se observação participante e rodas de conversa em sete encontros, com atividades em sala de aula e nos arredores da escola, com vistas a promover percepção ambiental. Foram abordados os temas: informação e aproximação; problematização; reflexão; sensibilização; percepção ambiental; e desenhando a utopia sustentável. Filmes, músicas, desenhos, maquetes, livros infantis e ilustrações foram usados em atividades de sensibilização. Os dados registrados em diário de campo e desenhos das crianças foram analisados por meio de análise temática. As reflexões dos participantes foram agrupadas em temas com os quais se construiu duas figuras. Os temas da primeira figura, desenhada no primeiro encontro da intervenção, foram retomados, debatidos e problematizados na segunda figura, concluída no último encontro, com respostas às urgências climáticas e socioambientais dos entornos das crianças e dos jovens. No Campo 2, participaram quarenta adolescentes, com idades entre treze a dezessete anos, alunos do oitavo e nono anos do Ensino Fundamental II e primeira série do Ensino Médio. Tal como no Campo 1, fez-se observação participante, com atividades de produção coletiva de conhecimentos e abordagem aos mesmos temas do Campo 1, com adequações ao capital cognitivo dos adolescentes. As atividades foram realizadas em sete encontros, na sala de aula e nos arredores, com observação participante, à sombra de árvores do terreno da escola e floresta de eucalipto. Usou-se filmes, fotografias, músicas, documentários, artigos jornalísticos e livros como atividades de sensibilização e problematização. Os dados derivados de registros em diário de campo e mapeamento feito pelos adolescentes, informado em grupo de WhatsApp, foram submetidos à análise temática. As crianças e jovens mapearam as vulnerabilidades socioambientais dos entornos das escolas, perceberam e aproveitaram as lacunas socioambientais evidenciadas nas vulnerabilidades de suas comunidades e propuseram ações coletivas para a produção de recursos adaptativos a tais impactos. Por um processo de problematização e sensibilização, produziu-se um projeto educacional interdisciplinar a ser implementado nas duas escolas, com recursos da educação ambiental em resposta às urgências das mudanças climáticas percebidas no contexto no qual o estudo se inseriu. Conclui-se que, no contexto das mudanças climáticas, as crianças e os jovens estudantes das escolas de educação do campo têm muito a nos dizer. Suas percepções evidenciaram apreensão e criticidade sobre estas ameaças. A educação ambiental apresentou-se como recursos para problematização e sensibilização e a educação do campo como arena privilegiada para estas reflexões. Novos estudos devem priorizar desenhos longitudinais, com maior envolvimento do corpo docente, da escola e articulações com gestores públicos da educação e órgãos ambientais.