Título
Educação ambiental baseada no lugar com Realidade Aumentada: métodos e diretrizes para a transportação didática no desenvolvimento e uso de aplicativos
Os sistemas de realidade aumentada (RA) permitem a apresentação conjunta de elementos tridimensionais reais e virtuais em tempo real. Com o aumento da capacidade dos dispositivos de rastreamento, processamento e apresentação de imagens, verificado nos últimos anos, esta tecnologia vive agora seu pico de expectativas, apontando novos caminhos para o ensino. De particular relevância é sua utilização para representar fenômenos abstratos ou de difícil visualização in loco, o que inclui aqueles multideterminados e de grande amplitude, como é o caso dos fatores ecológicos trabalhados em educação ambiental. Quando os indivíduos não são capazes de identificar e situar os determinantes da qualidade ambiental no contexto em que vivem, têm limitado seu poder de atuação para conservação e exigência de melhorias frente à sua comunidade e o poder público. Essa necessidade tem se tornado relevante com relação à questão hídrica no Distrito Federal tanto no que se refere à disponibilidade de água para consumo, como no que tange à conservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo, cuja defesa está prevista na constituição. Dois casos nos quais nos debruçamos no presente estudo são: o da região em torno do Ribeirão Sobradinho, que tem sofrido com racionamentos nas escolas e residências; e o do pirá-brasília (Simpsonichthys boitonei), espécie de peixe endêmica ao Distrito Federal e que atualmente consta na lista de espécies ameaçadas de extinção. O objetivo do presente trabalho foi desenvolver dois aplicativos em RA para o ensino de educação ambiental com sistemas de RA, baseados nas problemáticas do Ribeirão Sobradinho e do pirá-brasília, e investigar os requisitos necessários à transposição didática para fomentar a educação ambiental baseada no lugar (EBL). Nossa tese é que essa transposição didática depende de métodos de desenvolvimento dialógicos entre desenvolvedor, comunidade, professores e estudantes. Iniciamos o trabalho realizando uma revisão conceitual do termo virtual, conforme proposto por Pierre Lévy, situando na discussão a RA. Em seguida, realizamos uma revisão sistemática da literatura sobre a utilização da RA no ensino de ciências. Analisamos então o processo de desenvolvimento dos aplicativos. Nossa revisão conceitual reposicionou a virtualiz.ção como um processo progressivo, nunca regressivo e concluiu pela rejeição da separação entre virtual e possível quanto à subjetividade humana e os sistemas informáticos. A revisão sistemática da literatura revelou a RA como ferramenta eficaz na promoção da interação e engajamento, mas encontrou lacunas quanto à fundamentação de diretrizes para o desenvolvimento de aplicações para a educação baseada no lugar. A análise do processo de desenvolvimento e implementação dos aplicativos supramencionados permitiu avaliar os métodos de desenvolvimento utilizados e estabelecer diretrizes adequadas aos objetivos da educação baseada no lugar com uso de RA para professores e desenvolvedores. Concluímos pela necessidade de inclusão dos estudantes no processo de desenvolvimento para que o saber ensinado mantenha estreita relação com o saber a ensinar