Título

Influências de instituições externas à escola pública: privatização do ensino a partir da educação ambiental?

Programa Pós-graduação
Educação para a Ciência
Nome do(a) autor(a)
Carolina Borghi Mendes
Nome do(a) orientador(a)
Jandira Liria Biscalquini Talamoni
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2015
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Da observação da diversidade de ações carregadas de diferentes ideologias que vêm sendo desenvolvidas como educação ambiental (EA) no ambiente escolar, o que inclui ações oferecidas por instituições externas ao contexto educacional, pertencentes aos setores privados de grande relevância econômica no Brasil, emergiu a necessidade de análise dos objetivos e consequências das mesmas, sob as óticas da transformação - ou da manutenção - do modelo societário vigente. Assim, o objetivo de investigação e análise nesta dissertação foi a forma como se dá a inserção da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) nas escolas públicas dos municípios de Dumont, Pradópolis, Jaboticabal e Rincão, por meio do programa ?Agronegócio na Escola? e de uma parceria daquela associação com uma usina sucroalcooleira que oferece visitas ao seu Centro de Educação Ambiental (CEA), aos escolares. Para a coleta de informações, foram realizadas visitas ao CEA, aplicados questionários e realizadas entrevistas com professores, secretários municipais de educação e/ou representantes das secretarias municipais de Educação (SMEs) daqueles municípios, bem como com uma representante da Abag de Ribeirão Preto, objetivando compreender como as ações que vêm sendo desenvolvidas mediante parcerias entre tais instituições interferem no trabalho docente e na educação pública, especialmente na EA e na sua inserção - sob uma dada perspectiva - no contexto escolar. O referencial teórico-metodológico adotado foi o Materialismo Histórico-Dialético, ainda com apoio na triangulação de dados e na análise de conteúdo, visando apresentar com maior clareza os resultados das análises realizadas. Ficou constatado que a inserção de instituições externas - de tamanha relevância econômica e cultural na região amostrada - nas escolas públicas interfere no trabalho docente e no desenvolvimento de uma educação humanizadora para os estudantes, permitindo que a escola difunda ideologias dos setores sociais (como o agronegócio), em detrimento de outras concepções que, segundo se entende, possibilitariam a emancipação dos sujeitos e a apropriação de concepções críticas sobre a realidade socioambiental. Dessa forma, as ações desenvolvidas pela empresa culminam na privatização da educação pública, ainda que no âmbito ideológico, diante do que se defende a necessidade de um posicionamento político comprometido, a ser assumido pelos responsáveis pelas instâncias públicas de educação (como as SMEs), isentando as escolas públicas da relação público-privado e oferecendo uma formação pública de qualidade, inicial e continuada, em EA, pautada em uma perspectiva crítica e transformadora, contribuindo para o trabalho docente sólido e a práxis coerente com a busca de uma transformação social.


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