Título

Identificação e formação de valores pessoais no ambiente escolar de ensino fundamental II: o sujeito ecológico em construção

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Luiz Gonzaga Lapa Júnior
Nome do(a) orientador(a)
Cláudia Márcia Lyra Pato
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2014
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O ambiente escolar, visto como microssistema de um sistema social maior, tem sido cada vez mais palco de conflitos e danos pessoais e materiais, refletindo uma crise de valores nas relações e inter-relações. Sendo a escola uma das principais instituições sociais responsáveis pela formação do cidadão, o que implica em formação e transmissão de valores para uma vida em sociedade, espera-se que as novas gerações de estudantes sejam capazes de lidar com os conflitos e respeitar as normas para uma convivência social sustentável. Entretanto, a escalada da violência em suas diversas manifestações (pessoal, ambiental e simbólica), sobretudo no ambiente escolar da instituição pública, revela uma contradição que sugere a omissão ou ineficácia da escola no cumprimento de seu papel. Considerando-se a centralidade dos valores no sistema pessoal e sociocultural, a educação formal deve assumir sua corresponsabilidade e atuar de forma efetiva para a formação humana em seus aspectos éticos e morais. Dessa forma, espera-se contribuir para que os estudantes sejam capazes de atuar e viver em sociedade de maneira sensível, crítica, criativa e sustentável. Este trabalho investigou os valores pessoais de estudantes do ensino fundamental II em uma escola pública do Distrito Federal e promoveu intervenções pedagógicas por meio de oficinas, com uso de dinâmicas cooperativas. Na primeira etapa, foi realizado um survey com todos os estudantes da escola (N = 980; 51,2% meninas; média de idade = 13,04) para identificar os valores pessoais e verificar as turmas que possuíam menos valores de autotranscendência, conforme Schwartz (2005). Na segunda etapa, foram realizadas oficinas pedagógicas centradas na formação de valores. Participaram dessa etapa 70 estudantes das duas turmas que apresentaram menores médias de valores de autotranscendência: uma do turno matutino e outra do vespertino (55,6% meninas; média de idade = 13). As análises de escalonamento multidimensional (EMD) revelaram que os valores pessoais dos estudantes possuíam estruturas semelhantes ao do modelo teórico de Schwartz. No processo de intervenção foi possível observar que os estudantes demonstraram interesse nas atividades, expressaram comportamentos mais afetuosos, respeitosos e solidários entre eles e com os professores, e destacaram a importância desse tipo de trabalho na formação deles, entre outros. Após as oficinas foi realizado novo survey com as duas turmas que participaram do processo de formação para comparação com os valores que os estudantes tinham antes desse processo. Os resultados indicaram uma tendência de aumento na média dos valores de autotranscendência para as duas turmas, revelando preocupação maior com o bem-estar de si mesmos, dos outros e do ambiente de convivência e relações. Estes resultados demonstram que a formação de valores pessoais de forma dinâmica, vivencial e simbólica contribui para a mudança nos comportamentos dos estudantes e para a promoção de um ambiente mais ecológico e sustentável. Isso pode favorecer a resolução de conflitos e a reversão do cenário atual tanto no ambiente escolar quanto fora dele.


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