Título
A ciência na educação formal: investigando possibilidades de problematização das questões socioambientais
A presente pesquisa foi elaborada com a colaboração de uma equipe de professores do ensino fundamental II e ensino médio numa escola pública vinculada à Diretoria Regional de Ensino de Itapecerica da Serra, com o objetivo de analisar qual o papel da Ciência na educação formal e como a escola pode se firmar como propositora de conhecimentos a partir da problematização das questões socioambientais de seu entorno. Durante toda a trajetória da pesquisa procurou-se estabelecer um diálogo com autores que defendem a educação numa perspectiva crítico-transformadora e reconhecem a complexidade, a incerteza, a contradição e a pluralidade da natureza humana, entre eles Paulo Freire, Edgar Morin, Maria Cândida Moraes, enfatizando-se também as contribuições de Attico Chassot sobre a valorização dos saberes populares pela escola no intuito de proporcionar uma Alfabetização Científica e os aportes teóricos da Ciência pós-normal de Silvio Funtowicz e Jerry Ravetz. Como estratégia metodológica optou-se pela adoção do Grupo Focal por ser caracterizado como um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos. Esta dissertação utilizou-se ainda de uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória, favorecendo reflexões em um diálogo permanente entre os dados coletados e a base teórica. Com esse trabalho, constatou-se que a falta de percepção sobre a relação existente entre Ciência e as questões socioambientais ainda faz parte do imaginário dos docentes como um fator determinante, principalmente quanto às implicações sociais do desenvolvimento científico na modernidade. A pesquisa evidenciou a necessidade de melhor articulação entre os docentes, para tanto, sugere-se um melhor aproveitamento dos espaços de discussão presentes na escola, a fim de otimizar esses ambientes de aprendizagem e o trabalho interdisciplinar, por meio de constante diálogo, cooperação, negociação e participação, facilitando assim a interação dos sujeitos e o desenvolvimento de suas capacidades para reconhecer na realidade local potenciais de uma educação problematizadora.