Título
Educação na contemporaneidade: nutrindo-se com a experiência da Escola da Floresta, Acre, Brasil
Este estudo teve como foco a experiência vivenciada pelas pessoas envolvidas nas duas primeiras turmas de um dos cursos profissionalizantes do Centro de Educação Profissional Roberval Cardoso, ou Escola da Floresta. Tal instituição de ensino está vinculada ao Instituto Dom Moacyr de Educação Profissional, autarquia responsável pela gestão da educação profissional, ligada ao governo do estado do Acre, na Amazônia brasileira. No contexto de uma gestão do governo estadual, que levanta a bandeira da sustentabilidade, o uso sustentável de seus ativos ambientais, bem como a recuperação de seus passivos, pensa-se a formação profissional coerente com tais demandas. A Escola da Floresta, a partir de 2005, implementa uma proposta inovadora de educação, baseada na formação por competências, tendo como intenção a formação de sujeitos autônomos, críticos e criativos, que, ao atuarem como profissionais, possam contribuir para a construção de uma sociedade mais sustentável, mais justa e solidária, que viva a ética do cuidado e do respeito para com as gerações presentes e futuras dos seres humanos, bem como de todos os outros seres. Ao colocar em prática tal proposta, a Escola evidentemente se depara com desafios, gerados pela tensão entre o instituinte e o instituído. Assim, a relação do estabelecido com o novo que se consolidava gerou conflitos e explicitou contradições. Ao refletir sobre o processo vivido pelas pessoas envolvidas no curso técnico agroflorestal, das duas primeiras turmas formadas, no período de 2005 a 2008 na Escola da Floresta, perceberam-se importantes contribuições para a educação na contemporaneidade. Com a abordagem da complexidade, tal experiência aqui considerada trouxe elementos pertinentes para se pensar a Educação. Ao fazer emergir falas preciosas, que conotam alta implicação, pudemos organizar aprendizados referentes a transformações subjetivas, reflexões pedagógicas e reflexões institucionais. Os profissionais formados como técnicos agroflorestais na Escola da Floresta, em tão pouco tempo (um pouco mais de um ano) mostram ter desenvolvido um perfil emancipatório, crítico, comunicativo, com uma visão de mundo sistêmica, contextualizada, a inclinação para a construção coletiva do conhecimento, a abertura para o outro e o diferente (alteridade), uma maturidade raramente encontrada em pessoas tão jovens. Aspectos surpreendentes apareceram, com evidência para valores como: não querer qualquer emprego, pelo dinheiro, mas trabalhar no que acredita; fazer com as pessoas e não pelas pessoas; valorizar todas as formas de vida; cuidar do meio pensando nas gerações futuras; fazer a diferença, querendo transformar a sociedade. Procurou-se compreender quais as estratégias utilizadas para que tal processo formativo, com essa qualidade, pudesse acontecer. Ao refletir sobre a experiência da Escola da Floresta, percebeu-se a importância da necessidade do diálogo e da construção permanente do saber, para a própria saúde institucional, lançando sempre um olhar sobre o que foi realizado e o que se pretende realizar, relacionando sempre a teoria com a prática. Assim, evidenciou-se a importância de se considerar a Escola como uma comunidade aprendente, que se debruça sobre a sua prática, seguindo a intenção, o ‘atrator’ (na linguagem da complexidade), para compreender processos, aprender com a experiência, ajustar estratégias e prosseguir.