Título

A vanguarda que se auto-anula ou a ilusão necessária : o sujeito enredado : cartografia subjetiva da Rede Brasileira de Educação Ambiental 2003-2008

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Sustentável
Nome do(a) autor(a)
Valeria da Cruz Viana Labrea
Nome do(a) orientador(a)
Maria de Fátima Rodrigues Makiuchi
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2010
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este estudo, a partir da escola francesa da Análise do Discurso e de noções oriundas das Ciências Sociais e Educação Ambiental, descreve o funcionamento da Rede Brasileira de Educação Ambiental. A proposta deste trabalho é organizar uma cartografia subjetiva, que permita o mapeamento não-linear de alguns sentidos que circulam e que, em boa parte, organizam a memória discursiva da Rebea. A história da Rebea é contada a partir desta memória, cristalizando e colocando em evidência alguns sentidos e silenciando e apagando outros, que são fadados ao esquecimento. A cartografia é um mapeamento organizado a partir dos discursos produzidos em dois espaços distintos, mas que se entrecruzam e autodeterminam: a. o espaço de interlocução (EI) dos educadores ambientais entre seus pares, aqui representado pelos recortes discursivos produzidos pela Rebea em suas trocas de mensagens eletrônicas cotidianas - na lista aberta e na lista restrita aos facilitadores - onde cada educador reforça sua identidade e seu território individual, a partir de suas práticas e ser-no-mundo; e b. o espaço de formulação (EF) da Rebea onde ela veicula para fora da rede os consensos do grupo, discursos materializados nos documentos oficiais, produzidos coletivamente em seus encontros presenciais ou virtuais, visando fortalecer e dar visibilidade a território e identidade comuns. Pretendo organizar os recortes discursivos em redes de formulações que compõem estes discursos, suas filiações de sentido, explicitando a relação do sujeito com a memória discursiva. Assim, neste trabalho eu procuro responder as seguintes questões: 1. A partir de redes de formulação heterogêneas, como se constrói o sentido da noção de rede que é assumida no discurso da Rebea e passa a constituir sua memória discursiva? 2. Como são os processos decisórios e o que se decide coletivamente? Destaco e caracterizo as posições-sujeito que entendo como representativa da Rebea: a posição-sujeito dominante e a posição-sujeito dissidente. Cada posição-sujeito evidencia uma filiação de sentidos específica e identifico que essas filiações de sentido relacionam-se com uma das questões de pesquisa. Considero que também compõem a Rebea um grande número de enredados silenciosos ou silenciados que constituem a grande parte dos membros. Em comum, as três posições-sujeito relacionam-se com o silêncio, de diferentes formas. Relaciono a posição-sujeito dominante à primeira questão porque entendo que a noção de rede assumida pela Rebea tem sua origem no discurso da posição-sujeito dominante que controla os sentidos do dizer no espaço de formulação, sendo características a paráfrase e a repetição do mesmo. Para entender o que a Rebea decide coletivamente e como se dá este processo decisório é interessante observar o funcionamento discursivo da posição-sujeito dissidente, pois é nessa posição onde afloram a diferença e a polissemia. As respostas a essas questões permitem descrever e compreender quem são os sujeitos enredados e suas filiações de sentido e verificar se a sua experiência de gestão de redes sociais se apresenta como uma alternativa de emancipação social. 


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