Título
A prática educativa e o desenvolvimento territorial: um estudo de caso no município de Chapada Gaúcha, MG
O desregrado desenvolvimento técnico-científico da civilização humana tem gerado conseqüências socioambientais profundas, modificando as formas sócio-organizativas e políticoeconômicas da relação "sociedade - meio ambiente". Estas conseqüências evidenciaram, dentre outros, a necessidade de mudanças emergenciais, promovendo o resgate de conceitos sob nova relevância de qualidade e eqüidade socioambiental. Nestas circunstâncias, o presente trabalho apresenta a releitura de dois conceitos e a possibilidade de correlação entre eles, sendo o "desenvolvimento territorial" e a "educação". Com ênfase nas dimensões institucional e ambiental do desenvolvimento territorial, o presente trabalho propõe os processos educativos como ferramentas para projetos que objetivam o empoderamento teórico e crítico da população visando seu processo de autogestão num território dado. Objetivando a compreensão dos contributos da educação para o desenvolvimento territorial, buscou-se averiguar de que maneira as instituições escolares podem contribuir para a transformação dos sujeitos e das organizações sociais em prol do desenvolvimento territorial; identificar em que medida a escola e os projetos estudados podem ou não potencializar a qualidade de vida socioambiental na região; e elaborar um modelo teórico-metodológico. O trabalho foi realizado no município de Chapada Gaúcha (MG), junto à Escola Estadual de Serra das Araras e à Escola Municipal Santa Terezinha situadas, respectivamente, na Vila de Serra das Araras e na comunidade de Buraquinho, sob o âmbito dos projetos de desenvolvimento territorial "Urucuia Grande Sertão" e "Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu". A pesquisa compreendeu o levantamento teórico e o trabalho em campo. O primeiro abrangeu pesquisas documentais e bibliográficas como aporte teórico ao modelo. O segundo concretizou-se nas entrevistas as comunidades, aos atores escolares (corpo pedagógico-administrativo) e as instituições promotoras do desenvolvimento. Os resultados apresentaram uma realidade distinta à proposta teórica, relacionando-se a carências materiais e estruturais. As propostas de desenvolvimento territorial existentes na região são dúbias, vinculando o município a territórios distintos, nem sempre compatíveis com a identidade da população; e suas atividades encontram-se desconectas e pouco reconhecidas pela população. As escolas possuem necessidades básicas anteriores a capacidade interativa, como inadequada estrutura física; baixa qualificação e regularidade na formação dos profissionais; e delicado relacionamento interno e externo, com pouco diálogo existente entre seus profissionais e com a inexistência de parcerias contínuas com a comunidade e demais instituições. Outro agravante é que a comunidade é majoritariamente desprovida de bases materiais e informacionais. Estes fatores dificultam seriamente a participação da população nos projetos propostos, bem como à estruturação e continuidade destes enquanto novas propostas de desenvolvimento. Todavia, caracteres como o rico contexto socioambiental, a capacidade organizativa da população, o apoio político e a sensibilização territorial já existente, contribuem significativamente para mudanças de fato com qualidade e equidade socioambiental. Para tanto, sugere-se a revisão e reestruturação dos pontos críticos. Sanadas as carências materiais básicas tanto da população como das atividades escolares, propõe-se o firmamento de parcerias entre as instituições e os projetos desenvolvidos, ressaltando-se e retoma a importância humana enquanto "ferramenta" indispensável para o desenvolvimento, tendo a escola como elo imprescindível, enquanto gestora e fomentadora de parcerias para a capacidade humana em modificar seu espaço-tempo e (re)criar sua realidade sócio-comunitária.