Título
Reforma agrária e meio ambiente - ocupar, resistir, produzir e preservar: o caso do assentamento Terra Conquistada
Este trabalho refere-se à uma pesquisa desenvolvida dentro de um assentamento de reforma agrária e teve como objetivo a realização de uma intervenção educativa visando promover a organização das relações comunitárias com vistas à gestão socioambiental voltada ao desenvolvimento local sustentável. A pesquisa foi orientada pelos pressupostos e fundamentos metodológicos da pesquisa-ação, por ser esta metodologia que tem como atitude epistemológica a abordagem transversal, a escuta sensível e o pleno envolvimento do pesquisador com o trabalho desenvolvido, e por dar conta da complexidade da realidade em foco. O trabalho foi pensado e realizado de forma participativa pela pesquisadora e pelos assentados, exigindo dos sujeitos pesquisados o envolvimento com a mobilização micropolítica da comunidade. A pesquisa possibilitou a construção e a articulação de saberes técnicos com os saberes locais, desencadeando o início de um processo de gestão ambiental do assentamento. Primeiramente, realizou-se uma atividade de diagnóstico ambiental participativo com o objetivo de gerar um espaço de convivência, comunicação, troca de experiências e construção de conhecimento. Essa atividade revelou os problemas socioambientais e as potencialidades do assentamento, tanto no que se refere a recursos humanos, quanto aos recursos ambientais. A pesquisa teve como resultados uma mudança na forma de organização da comunidade, pelo do desvelamento de um conflito latente entre a dimensão individual e coletiva que orientava a organização social e as relações comunitárias; a construção e o reconhecimento de saberes; a formação de uma identidade coletiva; o resgate do sentimento de pertencimento; o fortalecimento dos laços de amizade e de solidariedade; o levantamento de problemas e potencialidades do assentamento e o pleno envolvimento da pesquisadora. Para que os assentados alcancem o desenvolvimento sustentável faz-se necessária a continuidade do processo de educação para a gestão desenvolvido com a comunidade, para que eles possam ampliar o seu olhar e o espaço de discussão aberto pela pesquisa, de forma a subsidiar o processo de gestão, auxiliando e reforçando a nova forma de organização social e produtiva criada no assentamento, no sentido de preservar o patrimônio ambiental e mudar o padrão tecnológico existente, articulando eficientemente as questões agrária e ambiental, que estão intimamente relacionadas.