Título
A educação e o ambiente escolar: entre o desenvolvimento da modernidade e a utopia realista do desenvolvimento sustentável
Derivada de significativas transformações históricas, a modernidade ocidental, ao prometer paz, igualdade e liberdade, propagou a fé num progresso contínuo e ilimitado, a crença na inesgotabilidade das riquezas naturais, a ardente paixão pela ciência e pela tecnologia e o apego ao consumismo como grandes certezas. No entanto, hoje, estas certezas começam a aparecer como verdadeiras ilusões, quando se constata que mais de 2/3 da humanidade vive na extrema pobreza, enquanto a ânsia consumista é atendida com uma brutal exploração da natureza. No complexo tempo presente, em que múltiplos e inter-relacionados problemas evidenciam a existência de um estado de mal-estar gerado pela modernidade ocidental, surge o conceito de desenvolvimento sustentável. Oportunamente, este conceito se apresenta como uma utopia realista, capaz de possibilitar a introjeção de uma ética fundada na solidariedade entres as gerações presentes e as futuras, que se concretiza no compromisso cotidiano com a preservação da vida. Nesta transição, entre o desencantamento da modernidade e a emergência da sustentabilidade, adquirem singular importância a educação e o ambiente escolar. Na modernidade, a educação foi transformada num mecanismo de inserção do indivíduo na sociedade industrial e a escola, ambiente privilegiado de transmissão do saber formal, configurou-se como um espaço controlador do tempo e limitador da espontaneidade dos educadores e educandos. Num momento em que se anuncia a necessidade da construção do desenvolvimento sustentável, a educação e o ambiente escolar, para estarem em consonância com esta perspectiva, urgem ser transformados. Para que isso possa ocorrer, a educação deverá cultivar a sensibilidade, a solidariedade e a espontaneidade, enquanto a escola deverá ser transformada num ambiente capaz de projetar a formação integral dos seres humanos e o cuidado com a natureza. Com essa compreensão refletimos, a partir de um estudo de caso, acerca da busca da sustentabilidade na escola. Discutimos sobre a arquitetura escolar e os artefatos pedagógicos, bem como sobre a relação existente entre o tempo, o trabalho e a sociabilidade na escola. Finalmente, resgatamos os indícios existentes que apontam a implementação da sustentabilidade no ambiente escolar como sendo uma utopia possível.