Título

Educação ambiental como processo de gestão ambiental: integração entre conservação e uso sustentável dos recursos naturais no Pontal do Paranapanema

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Sustentável
Nome do(a) autor(a)
Suzana Machado Padua
Nome do(a) orientador(a)
Lais Maria Borges de Mourão Sá
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2004
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese analisa o impacto de um programa de longo prazo de educação ambiental em uma das regiões mais conflituosas do Brasil, o Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, no que tange à integração do ser humano com a conservação da natureza e com o uso sustentável dos recursos naturais. A história do Pontal, marcada pelo conflito relacionado ao uso da terra, resultou na destruição da Mata Atlântica de Interior no Estado de São Paulo e em condições sociais desprivilegiadas. A riqueza da biodiversidade encontrada nos fragmentos florestais remanescentes atraiu um grupo de conservacionistas à região, que há duas décadas trabalha em pesquisas e na implementação de programas multidisciplinares que visam aumentar as chances de efetividade da conservação e da melhoria de vida humana. O grupo formou uma organização não governamental (ONG), o IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), que tem na educação ambiental um de seus principais pilares, pois visa integrar os aspectos socioambientais da região. As disputas pelas terras do Pontal já eram fonte de preocupação em 1942 quando foi criada a Grande Reserva do Pontal, área de proteção ambiental. Na década de 50, em desrespeito a essa destinação, as terras foram distribuídas a grileiros poderosos, sobrando apenas uma Unidade de Conservação, o Parque Estadual do Morro do Diabo e alguns fragmentos florestais. Como a titularidade dominial continuava indefinida, as terras começaram a ser alvo de uma migração maciça do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em meados dos anos 90, e hoje aproximadamente 4.000 famílias estão assentadas no Pontal e muitas aguardam o mesmo destino. As questões levantadas nesse estudo, que têm o objetivo de integrar aspectos socioambientais diversos, compreendem: (1) a educação ambiental é capaz de estimular o envolvimento de diferentes atores para desempenharem seus papéis de cidadãos; (2) o envolvimento dos assentados em práticas ambientais pode acirrar valores ligados à conservação e despertar a sensibilidade e o interesse em questões socioambientais. As questões foram formuladas de maneira a indicar como poderia haver integração entre objetivos vistos como conflitantes, como conservação e ocupação de terra. As análises se basearam na percepção de dez categorias de atores sociais e utilizaram os seguintes procedimentos metodológicos: (1) levantamento bibliográfico dos temas abordados; (2) entrevistas com 43 pessoas para se averiguar os diferentes pontos de vista; (3) a realização de dois fóruns participativos, as “Econegociações: um Pontal bom para todos”, com mais de 70 pessoas, que oportunizou a disseminação de informações sobre as pesquisas realizadas, a troca de experiências e a chance de se identificar interesses comuns na busca de soluções regionais; e (4) uma comparação entre 30 famílias de assentados e pequenos proprietários rurais que trabalham com iniciativas agroflorestais promovidas pelo IPÊ e 30 famílias não envolvidas, de modo a se averiguar se houve impacto na sensibilidade para a conservação e na percepção das pessoas se verem como agentes de mudanças. Os resultados indicam que a educação ambiental tratada de maneira abrangente foi capaz de promover mudanças em pessoas e em grupos, influenciar políticas públicas e integrar áreas que historicamente eram consideradas conflitantes: conservação e uso da terra e dos recursos naturais.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
07/07/2013