Título
De que “natureza” se fala na escola: representação social de professores e alunos no contexto da educação ambiental
A realização deste trabalho volta-se para o conhecimento sobre as representações sociais de natureza que estão circulando na escola, no contexto de diferentes disciplinas científicas e níveis de ensino/escolaridade da educação formal e das orientações teóricas e determinações legais e institucionais para a introdução da educação ambiental. A pesquisa envolveu alunos e professores dos níveis médio e superior de ensino/escolaridade e das disciplinas: Biologia, Geografia, Sociologia, Português e Matemática. Foi realizada em instituições de ensino privado e público, nos municípios de Recife e Olinda – PE. Foram entrevistados 426 sujeitos. Utilizou-se como referencial teórico-metodológico a Teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI). A obtenção e a análise dos dados seguiram uma orientação plurimetodológica, orientada pela perspectiva da psicologia societal (DOISE) e complementada pela abordagem estrutural (ABRIC). Este estudo identificou: 1) o campo comum das representações sociais; 2) as peculiaridades grupais; e 3) a ancoragem dessas representações. Revelou-se um significado normativo (necessidade de preservação da vida) compartilhado por todos os grupos, sentido que foi ressignificado em peculiaridades grupais (natureza provedora, diversidade de vida, interação sociedade-natureza e preocupação com o futuro), na relação com as áreas disciplinares e níveis de ensino/escolaridade dos professores e alunos envolvidos. As representações estão num espaço de transformação de uma perspectiva de superioridade e domínio dos seres humanos em relação à natureza para uma representação de mais interação, que é traduzida tanto no reconhecimento da dependência da natureza como nas novas práticas ensaiadas. Emergem ideias, valores, crenças e atitudes que não estão sintonizados com o que está proposto para a educação ambiental. De tudo o que se revelou, o mais preocupante é a predominância da perspectiva individual em que as práticas são ensaiadas. Não se reconhece que todas as interações humanas com e na natureza estão no contexto de um modelo de sociedade e que dessa forma se caracterizam não apenas enquanto interações ser humano-natureza mas principalmente como sociedade-natureza, caminho que pode estar configurando nova representação hegemônica, prenhe de conteúdos alienados acerca da “natureza”. Espera-se com este estudo colaborar para a consolidação de um espaço de conhecimento que contribua para facilitar o diálogo entre os conhecimentos científicos e os do senso comum que circulam na escola, acerca da natureza e da relação sociedade-natureza, no contexto da preocupação com a formação dos professores e com uma ação participativa, crítica e transformadora em educação ambiental.