Título

Formação discursiva da plenitude em educação: uma arqueogenealogia das novas sensibilidades ecopedagógicas

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Karina Mirian da Cruz Valença Alves
Nome do(a) orientador(a)
Flavio Henrique Albert Brayner
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2009
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O trabalho busca analisar a constituição de uma nova formação discursiva, nomeada aqui “formação discursiva da plenitude”, que, assumindo os traços de uma nova utopia – espécie de ecobiorreligião, propugna por uma espécie de reencantamento do mundo buscando na religação homem-natureza-cosmo o fundamento para a ação no presente. Tomamos como objeto privilegiado de análise os discursos da Ecopedagogia, campo discursivo que estabelece mediação entre Educação Ambiental e Espiritualidade e promove um ponto de articulação entre “novos paradigmas” – que vão da Física quântica à Astrofísica (porém com matriz discursiva radicada na Ecologia e Biologia de tipo sistêmico) – e antigas visões de mundo – como o budismo, o hinduísmo e o cristianismo. A emergência dessa formação discursiva, expressão e aprofundamento do momento crítico que vivemos, parece querer dar novo sentido às nossas vidas, à nossa história, à cultura e à sociedade, tudo passando por uma novíssima atenção sobre a natureza, de algum modo espiritualizada ou ressacralizada, sobre princípios de felicidade assentados na simplicidade e na possibilidade de realização plena do humano. O trabalho questiona como a educação comparece na formação dessa nova utopia elaborando um programa de formação de um sujeito ecológico cujo objetivo é “resgatar” a identidade de “ser vivo” do homem, bem como instaurar a consciência de seu pertencimento ao destino comum da Terra. Assentados em um estranho neo-humanismo, um neo-humanismo ecológico que coloca lado a lado o homem, os seres vivos e animais de toda espécie, os discursos da plenitude engendram a injunção de um novo ethos e um novo governo do eu – exigência de autenticidade, autonomia, equilíbrio na relação com a natureza etc. Este trabalho visa refletir justo sobre a produção de discursos que propõem a articulação entre homem e natureza, que convocam para a formação de uma ecoconsciência, uma “consciência planetária”, aberta por uma ecopedagogia. Para nós, essa rede discursiva que se engendra advém e estende a crise do humanismo, base de toda pedagogia, daí a necessidade de pensá-la do ponto de vista de uma reflexão educacional.


Classificações

Contexto Educacional
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