Título
Pensando a educação ambiental com referência à teoria de Humberto Maturana: a vivência do espaço relacional na comunidade de Samambaia - DF
Diante da ameaça à vida no planeta, os movimentos ambientalistas vêm avançando, principalmente nos últimos quarenta anos, abarcando grandes áreas do conhecimento em busca de soluções para os problemas ambientais. A educação ambiental tornou-se ferramenta fundamental nesse processo e tem solicitado, cada vez mais, uma conceituação de educação mais ampla, incluindo as questões sociais, econômicas, ambientais e culturais, e novos paradigmas para as mudanças de hábitos e valores da sociedade contemporânea. A abordagem da educação ambiental considera o ambiente em uma visão ampla, incluindo o humano e as questões socioeconômicas. Nesse contexto, a teoria de Maturana apresenta um novo paradigma para pensar a Biologia, a ciência e a educação. Tal teoria apresenta uma aproximação com as pedagogias dialógicas, tanto de Martin Buber como de Paulo Freire, dando um grande suporte para trabalhos com comunidades excluídas. Este estudo apresenta a discussão da teoria da Autopoiese aplicada ao trabalho educativo na cidade de Samambaia, no Distrito Federal, realizado no projeto de extensão de ação contínua “Construindo Saúde e Cidadania”, da Universidade de Brasília (UnB). O projeto estruturou-se no Instituto de Saúde Integral de Samambaia (Isis), localizado no Parque Três Meninas, com duas linhas de ações interligadas pela educação ambiental: i) a formação de uma horta de plantas medicinais e ii) a recuperação do Parque Três Meninas. Inicialmente entramos em contato com os pacientes do Isis, criando uma dinâmica de encontros semanais de estudo sobre as plantas medicinais e de cuidados com a horta. Neste estudo, os membros do grupo traziam seu conhecimento sobre as plantas e nós trazíamos o conhecimento sistematizado. Nos encontros, estabelecemos conversações, criando espaços dialógicos onde o trabalho a ser desenvolvido ia se configurando. Nessas conversações, surgiu a necessidade do trabalho no Parque Três Meninas, que se apresentava como uma possibilidade de lazer, mas que, na prática, era uma área perigosa para ser usada. Com isso, iniciamos o trabalho no parque e buscamos a parceria das escolas públicas, envolvendo alunos do nível médio e professores da rede pública de ensino, ampliando a atuação do projeto. A manutenção da horta de plantas medicinais, o levantamento geoambiental e a tentativa de elaboração do conselho gestor do parque envolveram tanto bolsistas da UnB quanto os membros da comunidade local. A maior dificuldade para a implementação das diretrizes do projeto estava na política partidária local. No início de 2004, houve uma alteração na configuração das secretarias de estado do DF, mudando a configuração administrativa do Parque Três Meninas, o que inviabilizou a continuidade do projeto. Em pouco tempo de trabalho, um grupo de jovens (ex-alunos do nível médio) envolvidos com o projeto e algumas mulheres estavam organizados para formar uma associação de produtores de plantas medicinais de Samambaia e muitos alunos foram formados monitores ambientais, com orientações básicas sobre o cerrado e sobre o uso de trilhas ecológicas. As teorias de Maturana, Paulo Freire e Martin Buber, as quais estão interligadas pela dialogicidade, puderam elucidar os trabalhos em Samambaia, considerando as dimensões humanas biopsicoculturais entrelaçadas.