Título

Pensando a educação ambiental com referência à teoria de Humberto Maturana: a vivência do espaço relacional na comunidade de Samambaia - DF

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Sustentável
Nome do(a) autor(a)
Eliane Mendes Guimarães
Nome do(a) orientador(a)
Roberto dos Santos Bartholo Júnior
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2004
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Diante da ameaça à vida no planeta, os movimentos ambientalistas vêm avançando, principalmente nos últimos quarenta anos, abarcando grandes áreas do conhecimento em busca de soluções para os problemas ambientais. A educação ambiental tornou-se ferramenta fundamental nesse processo e tem solicitado, cada vez mais, uma conceituação de educação mais ampla, incluindo as questões sociais, econômicas, ambientais e culturais, e novos paradigmas para as mudanças de hábitos e valores da sociedade contemporânea. A abordagem da educação ambiental considera o ambiente em uma visão ampla, incluindo o humano e as questões socioeconômicas. Nesse contexto, a teoria de Maturana apresenta um novo paradigma para pensar a Biologia, a ciência e a educação. Tal teoria apresenta uma aproximação com as pedagogias dialógicas, tanto de Martin Buber como de Paulo Freire, dando um grande suporte para trabalhos com comunidades excluídas. Este estudo apresenta a discussão da teoria da Autopoiese aplicada ao trabalho educativo na cidade de Samambaia, no Distrito Federal, realizado no projeto de extensão de ação contínua “Construindo Saúde e Cidadania”, da Universidade de Brasília (UnB). O projeto estruturou-se no Instituto de Saúde Integral de Samambaia (Isis), localizado no Parque Três Meninas, com duas linhas de ações interligadas pela educação ambiental: i) a formação de uma horta de plantas medicinais e ii) a recuperação do Parque Três Meninas. Inicialmente entramos em contato com os pacientes do Isis, criando uma dinâmica de encontros semanais de estudo sobre as plantas medicinais e de cuidados com a horta. Neste estudo, os membros do grupo traziam seu conhecimento sobre as plantas e nós trazíamos o conhecimento sistematizado. Nos encontros, estabelecemos conversações, criando espaços dialógicos onde o trabalho a ser desenvolvido ia se configurando. Nessas conversações, surgiu a necessidade do trabalho no Parque Três Meninas, que se apresentava como uma possibilidade de lazer, mas que, na prática, era uma área perigosa para ser usada. Com isso, iniciamos o trabalho no parque e buscamos a parceria das escolas públicas, envolvendo alunos do nível médio e professores da rede pública de ensino, ampliando a atuação do projeto. A manutenção da horta de plantas medicinais, o levantamento geoambiental e a tentativa de elaboração do conselho gestor do parque envolveram tanto bolsistas da UnB quanto os membros da comunidade local. A maior dificuldade para a implementação das diretrizes do projeto estava na política partidária local. No início de 2004, houve uma alteração na configuração das secretarias de estado do DF, mudando a configuração administrativa do Parque Três Meninas, o que inviabilizou a continuidade do projeto. Em pouco tempo de trabalho, um grupo de jovens (ex-alunos do nível médio) envolvidos com o projeto e algumas mulheres estavam organizados para formar uma associação de produtores de plantas medicinais de Samambaia e muitos alunos foram formados monitores ambientais, com orientações básicas sobre o cerrado e sobre o uso de trilhas ecológicas. As teorias de Maturana, Paulo Freire e Martin Buber, as quais estão interligadas pela dialogicidade, puderam elucidar os trabalhos em Samambaia, considerando as dimensões humanas biopsicoculturais entrelaçadas.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Modalidade: Regular
Data de Classificação:
14/12/2014