Título
Um mergulho no antropoceno: o lixo como componente da paisagem subaquática
O modo de vida da sociedade capitalista contemporânea passou a criar uma noção de
separação entre cultura e natureza, entre ser humano e animal ao afastar grande parte
dessa sociedade do contato com ambientes naturais. A velocidade ou pressa moderna, que
essa sociedade impõe, é ainda responsável por doenças como hipertensão, depressão e
estresse, chamada de “doença do século”. A prática de atividades em ambientes naturais
em geral e o ecoturismo, em particular, surgem, então, como forma de promover uma
reconciliação entre essa sociedade e a natureza. Entre estas atividades, está o mergulho
recreativo, que a partir da década de 1940 se popularizou com o desenvolvimento de
equipamentos específicos para a prática e a divulgação de imagens e histórias sobre o
fundo do mar. Contudo, essas imagens do fundo do mar estão diferentes neste início de
século XXI. Ao mergulhar em busca do contato com a natureza, da contemplação de
animais marinhos e de conhecer outro ambiente, mergulhadores têm encontrado uma
paisagem alterada, entre outros fatores, pelo acúmulo de lixo no mar. Para um
mergulhador recreativo no Brasil, é mais frequente a avistagem de algum tipo de resíduo
de origem antrópica no fundo do mar do que espécies de interesse contemplativo, como
tubarões, raias, grandes peixes ósseos, entre outros organismos. Dentre estes resíduos,
além do plástico - praticamente onipresente -, os petrechos de pesca, de grande potencial
de impacto na fauna e flora marinhas, estão comumente presentes na paisagem
subaquática, incluindo áreas marinhas protegidas, como é o caso do Parque Natural
Municipal Paisagem Carioca, no Rio de Janeiro. Para enfrentar este e outros problemas,
governos e iniciativas da sociedade civil têm buscado atuar em diversos pontos do
planeta. Um exemplo disso é o Projeto Verde Mar, que por meio de ações diretas de
sensibilização ambiental, programas de educação e comunicação ambiental, pesquisa
científica e propostas de políticas públicas atua para a disseminação da cultura oceânica e
para a promoção da conservação marinha.