Título
A Semântica da Cultura Oceânica: Do Verbo à Ação Educativa na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis-SC-Brasil
A presente Tese teve como principal objetivo analisar as práticas da Educação Ambiental Marinha e Costeira (EAMC)/ Cultura Oceânica (CO) em 27 escolas com anos finais da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (RMEF), SC- Brasil, suas potencialidades e desafios. A partir de estratégias qualiquantitativa, buscou-se: i) ampliar a compreensão teórica acerca da CO e a construção de práticas educativas voltadas para a EAMC realizando revisão bibliográfica do tema; ii) mapear o perfil das escolas em relação ao potencial e desenvolvimento de trabalhos interdisciplinares/transdisciplinares com foco na EAMC/CO, com aplicação de questionários semiestruturados direcionados aos Supervisores Escolares (SE); iii) diagnosticar a partir de questionário semiestruturado o perfil de professores de Ciências da Natureza (CN) em relação à formação e capacitação sobre a prática da EAMC/CO nas escolas envolvidas; iv) Compreender por meio de questionário estruturado a percepção dos professores de CN sobre o desenvolvimento e abordagem de temas da CO na prática docente; v) através de análise documental identificar e problematizar a inter-relação da saúde humana e da saúde do oceano nos projetos educativos da Escola do Mar (EMAR); e vi) propor a inserção da CO no currículo dos anos finais do ensino fundamental, com auxílio de material didático-pedagógico que contribua para o reconhecimento dessa abordagem. Os resultados apontam que as escolas, pela visão dos SE, apresentam em seus Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) a base para a EAMC, porém vinculados de forma significativa a EMAR, e nem sempre desenvolvidos de forma transdisciplinar, os SE encontram dificuldades em desenvolver esses projetos com os professores devido à falta de tempo e questões estruturais e funcionais da unidade educativa. Os professores, em relação à formação sobre EAMC e/ou CO, ainda possuem pouco conhecimento e as dificuldades para desenvolver projetos estão atreladas às turmas numerosas, falta de transporte e falta de tempo para planejamento. Segundo as categorias de percepção analisadas, importância, responsabilidade, conhecimento, competência e barreira potencial associado à prática docente, os professores distinguem os diferentes princípios da CO no espaço escolar. Importam-se em trabalhar com todos os Princípios da CO, com ênfase no Princípio P6d (Poluição humana no ambiente oceânico) e menor importância ao princípio P2 (Processos de erosão e atividades tectônicas que ocorrem no oceano); sentem-se responsáveis por alertar e desenvolver trabalhos relacionados aos princípios P4 e P5 (O ambiente oceânico e suas funções bióticas); P6d e P7 (Impacto humano nos recursos oceânicos). Na categoria conhecimento, destacaram dificuldades com temas dos princípios P1 (O ambiente oceânico e seus recursos) e P2, mas sentem-se preparados para trabalhar com os princípios P4, P5 e P6d. Na categoria competências, possuem habilidades para trabalhar com os princípios P4, P5 e P6d e pouco criativos para trabalhar os princípios P1 e P2. Na Categoria Barreira Potencial, não as encontram em temas direcionados aos princípios P4, P5 e P6d. Observou-se uma tendência significativa de trabalhos com abordagem nos princípios P5 e P6 da CO, nos projetos direcionados a EMAR, com significativa interdisciplinaridade nas áreas do conhecimento de ciências, geografia e história. Por fim, o trabalho traz considerações e sugestões para os desafios encontrados na inserção da CO na RMEF, e como produtos: uma proposta para inserção da CO, no currículo de Ciências da Rede e material de apoio didático de livre acesso. Livro eletrônico intitulado: A Cultura Oceânica no espaço escolar, estratégias de ensino e aprendizagem.