Título
Quando quintais com Plantas Alimentícias Não Convencionais semeiam educabilidades e sujeitos ecopolíticos
Esta pesquisa faz parte de um movimento pessoal, crítico e apaixonado. A questão
foi compreender se podem os Quintais com Plantas Alimentícias Não Convencionais
(PANC) produzirem educabilidades significativas para a formação de um sujeito
ecopolítico, podendo trazer à tona reflexões sobre novos modos sustentáveis de produzir
soberania e das injustiças ambientais que permeiam o sistema agroalimentar hegemônico.
É no diálogo entre a Educação Ambiental crítica e a Ecologia Política que emerge o
problema social: o modo como as cidades invisibilizam e destroem quintais e assim os
saberes que com eles se constroem. Problema esse que reforça a negação do Direito
Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e à soberania alimentar. O objetivo deste
estudo foi entender os significados atribuídos aos quintais com PANC por aquelas/es que
praticam esses lugares na cidade de Simão Pereira, MG, e se esses significados podem
produzir educabilidades, na construção de sujeitos ecopolíticos, acerca das lutas por
soberania alimentar e justiça ambiental em contraponto ao sistema agroalimentar
hegemônico. Para tanto, investiguei quintais com PANC da cidade de Simão Pereira/MG,
tendo como método a pesquisa qualitativa através do aporte teórico-metodológico da
Análise Crítica do Discurso. A partir das análises das entrevistas feitas com sete
participantes que, cotidianamente, interagem com o mundo a partir dos seus Quintais com
PANC, esses lugares praticados se configuraram como produtores de conhecimentos e
educabilidades que contribuem para uma Educação Ambiental adjetivada como crítica
que se propõe a desvelar as consequências nefastas das cadeias produtivas globais do
mercado internacional, formando sujeitos ecopolíticos. Através da memória e do
cotidiano dos sujeitos, as PANC, enquanto um alimento agropolítico, são fundantes e
indispensáveis para se pensar modos sustentáveis no caminho rumo à soberania alimentar.