Título
Diálogos interculturais sobre a conservação da biodiversidade: subsídios para a educação ambiental crítica no entorno do Parque Estadual da Lapa Grande Paulinho Ribeiro
Ao longo da história a ciência tem intensificado os esforços em busca de soluções
que amenizem os impactos ambientais, oriundos da relação ser humano/natureza,
em busca de equilíbrio entre a ecologia e economia, perante a demanda de energias
decorrente do aumento populacional, na tentativa de garantir a preservação de
recursos para a humanidade (VEIGA, 2010). Assim, a Educação Ambiental (EA) é
fundamental na mediação de todas as relações sociais humanas, devendo envolver
uma nova concepção de educação para atingir uma consciência socioambiental de
sustentabilidade, pensando nas presentes e futuras gerações, na concepção de
natureza como casa comum (FRANCISCO, 2015). Nesse sentido, é essencial que a
EA seja numa perspectiva crítica e intercultural, realmente transformadora e
emancipatória, no saber agir de educandos e educadores. Assim buscou-se nessa
pesquisa de Mestrado, de cunho qualitativo, indicar potenciais diálogos interculturais
entre os conhecimentos ecológicos tradicionais (CET) e os conhecimentos
acadêmicos ecológicos (CAE), mobilizados numa proposta colaborativa com uma
professora de ciências, sobre a conservação da biodiversidade local no Parque
Estadual da Lapa Grande Paulinho Ribeiro (PELG), localizado no município de
Montes Claros, no Norte do estado de Minas Gerais. Chamamos de CAE os
conhecimentos oriundos da ciência ocidental, comunicado através da escrita.
Chamamos de CET os saberes desenvolvidos e aprimorados, através da relação
entre o ser humano e a natureza, porém transmitido através da oralidade. Os passos
metodológicos seguidos na realização dessa pesquisa, partiu de uma investigação
por meio de entrevistas semiestruturadas com uma gestora do PELG e um morador
do entorno, com base no roteiro de entrevista semiestruturada. No segundo
momento, foi desenvolvido uma atividade participativa colaborativa com a professora
de ciências de uma escola do entorno do parque, realizando uma análise conjunta
dos dados, construindo reflexões fundamentadas no contexto dos participantes da
pesquisa, trazendo como base as lentes das construções teóricas propostas por
Molina e Mojica (2011; 2013), Colombo (2020) e Kato, Sandron, & Hoffmann (2021),
no que se refere a possíveis pontes de diálogos interculturais entre CET e CAE. Assim,
no olhar do pesquisador sobre as entrevistas e na sua participação na proposta
colaborativa com a professora de ciências, em suas vivências in loco como monitor
ambiental do parque e como morador do entorno, é nesse encontro que se faz
visível as ressignificações das pontes de conhecimentos e se tornam possíveis os
diálogos interculturais frente ao desenvolvimento dessa investigação. Portanto, o
diálogo intercultural na EA crítica, visa amenizar o distanciamento, promovendo uma
ecologia de saberes, não apenas pautada no conhecimento oriundo da ciência
ocidental, mas que considere a importância do saber local, dialogando com outras
formas de conhecimentos sobre a conservação da biodiversidade e, assim subsidiar
uma EA crítica, realmente transformadora, emancipatória e articulada com os modos
de vida no campo, onde o meio ambiente é o sujeito da intenção, não objeto.
Compreendemos que a EA crítica, pautada nos diálogos interculturais, por meio das
pontes de conhecimentos, é o caminho mais eficaz no desenvolvimento de ações de
conservação ambiental no entorno de unidades de conservação.