Título

Fabular um povo por vir: alianças afetivas multiespécies tecidas pela Rede Nacional de Pontos de Cultura e Memória Rurais

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Lais de Paula Pereira
Nome do(a) orientador(a)
Shaula Maira Vicentini de Sampaio
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Essa pesquisa forja caminhos que nos levam a pensar natureza cultura desde a insurreição
micropolítica, a instauração cosmopolítica, a noção de comum e a decolonização da nossa
imaginação conceitual e do nosso inconsciente. Na busca reiterada de três sustentáculos - um
tônus atencional, a cartografia enquanto política cognitiva corporificada e as convocações ao
presente e ao acontecimento -, esta tese esboça enunciados a respeito das questões ambientais
e do Antropoceno, colocando-os sob suspeita e abrindo brechas para pensarmos uma
quase-educação-ambiental que nasce por entre as ruínas de uma política da aceleração e do
desencantamento. Nesta direção, a incursão em estudos decoloniais e multiespécies
possibilitam-nos regar e adubar formas heterogêneas de relação com o mundo e seu caráter
contingente, o que nos aproxima de uma ética aberta à co-criação de mundos. Assim,
tomamos as cosmopráxis e as poéticas públicas de encantamento tecidas no contexto do
Programa Cultura Viva e da Rede Nacional de Pontos de Cultura e Memória Rurais
(RNPCMR) e pensamos a diversidade cultural doravante a margem do debate em torno de
outras formas de envolvimento e radicalização de uma cosmopolítica nos pontos de cultura,
de modo a fazer sobrevir o comum, a articulação em redes e o Bem Viver. A partir de
algumas fabulações entrecruzadas com histórias contadas nas rodas de conversa Como é ser
um Ponto de Cultura Rural: Comunidade e territórios afetivos, realizadas virtualmente em
março de 2021 pelo Sobrado Cultural Rural, localizado no distrito de Barra Alegre, Bom
Jardim (RJ), perscruto a mudança da cultura política de modo a ativar conexões e
composições - às vezes impensadas -, bem como diferenças e comparações na relação com as
palavras humanas e não-humanas. Compomos, portanto, um caminho metodológico que
fabula um povo por vir a partir da força fabulosa dos corpos, da racionalidade corpórea e das
alianças afetivas multiespécies que sobrevêm entre-falas. Defendemos que a rede e o seu
movimento rizomático de articulação tem contribuído para a consolidação de uma
Cosmopolítica e para a construção de uma rede multiespécies autônoma e democrática. Essa
movimentação é, também, uma experimentação de uma quase-educação-ambiental que
levanta questões sobre o feitio das nossas ativações, dos nossos afetos, das buscas por um
comum e das relações multiespécies tecidas nesses territórios. O ato de fabular, criar e
inventar paisagens nestes territórios subverte discursos dados a respeito do que vem a ser
cultura, natureza e as relações que daí emergem. Ambicionamos, assim, ir de encontro às
socialidades mais que humanas que têm sido produzidas nas paisagens co-criadas pela rede,
com ou apesar de intenções humanas, e evocar uma certa radicalidade que engendre alianças
afetivas multiespécies.


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