Título

Frustrar a catástrofe, proliferar mundos: composições ecológicas com Arthur Bispo do Rosário

Programa Pós-graduação
Educação em Ciências e em Matemática
Nome do(a) autor(a)
Victor Anselmo Costa
Nome do(a) orientador(a)
Katia Maria Kasper
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

“Não é bons ventos”, escreve Arthur Bispo do Rosário em um de seus bordados dedicados a apresentar o mundo no dia do Juízo Final. É com Bispo, com aquilo que denominamos de bloco- Bispo de intensidades, que tecemos as questões desta pesquisa. Com Bispo, nos defrontamos com o Antropoceno, enquanto tempo de catástrofes, simultaneamente climáticas e coloniais, buscando nos deslocar de suas amarras niilistas. Com Bispo, inspirados em suas aparições, em seu esforço de salvação de mundos, refletimos sobre a pertinência do invisível e das virtualidades como elementos fundamentais para a imaginação, a fabulação e o sonho necessários para frustrar as catástrofes contemporâneas. Denominamos esse compromisso político, estético e ético de ecologia do invisível, em sintonia com a elaboração conceitual realizada por Peter Pal Pelbart, Gilles Deleuze e David Lapoujade. Carregando no corpo esse conceito, visitamos o território do Museu Arthur Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, e a exposição “Bispo do Rosário – Eu vim: aparição, impregnação, impacto”, em São Paulo, experimentando uma cartografia entre Bispo e os fins de mundo. De forma brincante, dizemos: aterramos Bispo, aquele que nunca pousa, confrontando sua proliferante expressão “artística” com as questões que as urgências de Gaia nos impõem. Em diálogo com Donna Haraway, Ailton Krenak e Bruno Latour discutimos o conceito de Antropoceno, tecendo relações com a ecologia do invisível e com a vida e obra de Arthur Bispo do Rosário. Nesse exercício, cinco atributos são engendrados para compor nossa ecologia: Insistência, Sobrevivência, Sustentação, Travessia e Infância. Cada atributo abre uma paisagem conceitual e problemática, funcionando como clareiras engendradas no pensamento, terreno no qual podemos pensar os modos de habitar mundos desestabilizados. Detalhes dos bordados, das vitrines, do Grande Veleiro e do Manto da Apresentação de Arthur Bispo do Rosário são alguns dos interlocutores estéticos acionados para espessar esses atributos. Desfiando as tramas da Insistência e da Sobrevivência, buscamos arregimentar forças combativas ao niilismo contemporâneo, chamado aqui de climato-niilismo. Através da Sustentação, reafirmarmos o papel da alteridade, da relação e do testemunho no cuidado com o porvir. A Travessia e a Infância, juntas, fortalecem-nos no entendimento de que o mundo que nos espera, apesar de toda ruína, inspira-nos uma ética da renúncia e a disposição criativa dos recomeços. Através desses atributos, buscamos abrir um plano sensível em nossos compromissos ecológicos e políticos. Aprendemos com Bispo uma arte e uma saúde para alçar voos em tempos agitados: ver de relance, endoidecer no caminho. E assim, seguir vitalizados para o encontro com uma Terra incógnita, ainda por vir.


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