Título

Participação e construção de feiras de agricultura familiar, economia solidária e agroecologia : entre práticas cotidianas e a formação em Educação Ambiental

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Gisleine Cruz Portugal
Nome do(a) orientador(a)
Sergio Botton Barcellos
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

As feiras são manifestações culturais promovidas com o intuito de escoar o excedente de produção de famílias rurais, bem como artesanato e alimentos minimamente processados, representando elementos da cultura local de uma determinada região. Elas funcionam como um espaço de encontro dinâmico e rico em interações onde, além de ser um espaço de compra e venda, funcionam como um lugar onde se constroem relações diversas, representando um potencial de aprendizagem, reflexão e questionamento para os sujeitos que ali convivem. Uma das justificativas para a realização deste trabalho, que o torna inovador é o fato de ainda ser pouco explorada tais relações a partir da perspectiva da Educação Ambiental, ou seja, um recorte que busque investigar aspectos relativos à construção de questionamentos sobre nosso modelo de sociedade capitalista devastador. A realização deste estudo tem como objetivo geral analisar como ocorrem as trocas de saberes, aprendizagens e experiências relacionadas à Educação Ambiental nos espaços coletivos de construção de feiras no município de Viçosa-MG. Trago os resultados de uma pesquisa participante na realidade de três feiras de agricultura familiar ao longo de um ano de pesquisa, agroecologia e economia solidária na cidade de Viçosa, com registros em um diário de campo, complementados pela análise documental de Atas de Assembleias e Atas de reuniões, além de entrevistas narrativas com 23 feirantes. O que foi possível observar nas feiras é que o potencial do diálogo enquanto processo educativo se faz a partir do concreto, que mobiliza reflexões e questionamentos das problemáticas vividas, de forma que existem espaços onde estes podem ser mobilizados e acolhidos na coletividade das reuniões e assembleias. Os atores envolvidos com as feiras conseguem afirmar interesses individuais, transformando-os em projetos coletivos, significando o restabelecimento de uma utopia compartilhada. Assim, foi possível constatar que o processo de organização, participação, e comercialização nas feiras estudadas possuem a potencialidade de ser um movimento social político, organizado, que questiona o modelo hegemônico de injustiça ambiental e social, podendo também se configurar enquanto espaço de construção da educação popular. Então, podemos perceber que o processo constante de ação-reflexão-ação configura a construção de conhecimentos pautando a temática ambiental, com suas nuances políticas, sociais, culturais e econômicas.


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Contexto Educacional