Título
Barra de Pelotas (RS): uma análise da constituição e resistência da Comunidade-Território Tradicional Pesqueira a partir da educação ambiental crítica
Esta dissertação de Mestrado buscou compreender, a partir da lente analítica da Educação
Ambiental Crítica, como se configurou a comunidade-território tradicional de pesca da
Barra de Pelotas. As temáticas Educação Ambiental Crítica, territórios tradicionais, pesca
artesanal e conflitos ambientais estiveram na centralidade das discussões traçadas ao
longo da pesquisa, com base em autores(as) do campo do pensamento crítico. A pesquisa
foi desenvolvida a partir da abordagem qualitativa, envolvendo diversos instrumentos de
coleta de dados, os quais posteriormente foram analisados a partir da técnica de análise
de conteúdo e apresentados ao longo dos três capítulos do texto. Foram realizadas
entrevistas semiestruturadas com 20 moradores(as) da Barra de Pelotas, envolvendo
encontros individuais e coletivos, três saídas ao “mar” com pescadores(as) artesanais,
análise de documentos e publicações sobre a comunidade e o território, bem como
observação participante da comunidade e de uma audiência pública sobre uma demanda
local. Nesse trabalho a pesca artesanal é entendida enquanto um modo de vida tradicional,
resguardado por legislações nacionais e internacionais, de maneira que o modo de vida
desses sujeitos é intrínseco aos seus territórios tradicionais. Tais territórios envolvem a
dimensão física e simbólica do espaço, e apresentam significação própria no contexto da
pesca artesanal, envolvendo sociabilidades com a natureza específicas da cultura
pesqueira, que aportam diversos saberes ambientais construídos na vida cotidiana nesses
territórios. A Educação Ambiental Crítica, a partir da teoria dos conflitos ambientais,
contribuiu para entender como um ambiente de importância ambiental do município de
Pelotas dialeticamente se configurou em uma comunidade-território tradicional de pesca.
Através do trabalho identificou-se que a constituição da comunidade-território pesqueira
da Barra de Pelotas ocorreu em virtude da pesca artesanal enquanto modo de vida há mais
de 50 anos, cuja composição atual expressa a permanência dos filhos e filhas da pesca
artesanal na atividade como fonte de vida e cultura. Através do olhar crítico foi possível
perceber que a Educação Ambiental se manifesta desde a gênese desse território, seja pela
relação ser humano-natureza, onde são produzidos saberes ambientais pesqueiros
próprios da lida com o pescado, com as águas e com a costa, seja através da luta pela
garantia de acesso e direito ao seu território, com a instalação de água encanada, energia
elétrica e transporte escolar. Por meio dos resultados dessa pesquisa percebeu-se que a
comunidade vive, historicamente, com um processo de invisibilização dos seus aspectos
de tradicionalidade, sendo retratada publicamente como “ocupação irregular” e “zona de
risco”, fatores que contribuem para que sofra com falta de assistência do Estado
garantidor de direitos em alguns aspectos, conforme mencionado pelos (as) moradores
(as).