Título
Educação em saúde e educação ambiental: contribuições da terceira idade para integração dos campos
A educação ambiental e a educação em saúde são campos de estudos e práticas com diferentes origens, abordagens e arcabouços teóricos. A educação ambiental contempla autores que trabalham com as epistemologias ecológicas, conceito definido pela necessidade de superação das dualidades modernas e das dicotomias entre ser humano-mundo-ambiente. Autores que fazem parte desse guarda-chuva, defendem o engajamento do corpo no mundo como resultado dos movimentos de fluxos da vida, a corporeidade e a necessidade de uma educação da atenção. A educação em saúde ao ser trabalhada em aspectos socioecológicos, formadores e pedagógicos oportunizam que o sujeito seja protagonista para a compreensão e mudança de sua realidade, abrangendo aspectos culturais, sociais, econômicos, ambientais, dentre outros. Apesar de iniciativas que integram saúde e ambiente e de suas perspectivas interdisciplinares, raras são as iniciativas que colocam educação ambiental e educação em saúde em diálogo. Portanto, o objetivo desse trabalho é compreender as possibilidades e potencialidades de articulação entre educação ambiental e educação em saúde, a partir da percepção de sujeitos da terceira idade. Metodologicamente, esta pesquisa configura-se como qualitativa, e pauta-se na etnografia sensorial como produção de dados. Os dados foram produzidos a partir de cinco entrevistas semiestruturadas realizadas em 2022 e 2023 durante caminhadas pelo Parque Estadual São Camilo, Palotina/PR. Metodologia denominada de walking ethnography, que reconhece as experiências vividas, percepções e construção de saberes mediantes o local e contexto social. Alguns autores indicam o walking ethnography como possibilidade de apreensão das multissensorialidades, o que pode direcionar a corporeidade como central para análise das afetividades, ética e estética. Os dados apontaram para a emergência de três categorias: atencionalidades, ética e presentidade. A atencionalidade traz aspectos sobre as percepções dos idosos durante a caminhada, pela observação local e em sintonia com o ambiente, desacelerando os passos e a mente. A ética aborda sobre as nuances de políticas públicas e sua importância, relacionada com os aspectos da justiça ambiental. A categoria de presentidade vê a vida como um presente, no sentido temporal, pelo modo como afetamos e somos afetados, em afetividade e memórias apresentadas pelos idosos. São elementos que evidenciam a filosofia do Bem Viver como possibilidade para articulação da educação em saúde e educação ambiental, contribuindo para diálogos entre os campos de investigação. Entretanto, podem favorecer as práticas educativas, seja no contexto escolar ou comunitário, que privilegiam as sensações e emoções, motivadas pela corporeidade e que tragam novas perspectivas para pensar a educação ambiental e a educação em saúde.