Título

Considerações sobre as entregas espontâneas e o tráfico de animais silvestres: leituras para a educação ambiental

Programa Pós-graduação
Geografia
Nome do(a) autor(a)
Amanda Alves Pereira
Nome do(a) orientador(a)
Giseli Dalla Nora
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Inúmeras ações humanas ameaçam a biodiversidade, por meio do desmatamento e queimadas
para o avanço da agropecuária, expansões urbana e industrial, e comércio ilegal de fauna
silvestre. O tráfico é uma das principais ameaças à fauna silvestre, com potencial para causar
a extinção de espécies. Embora seja uma dificuldade que impacta não só o meio natural, como
também o social, o tráfico de fauna silvestre sofre com a escassez de dados nos órgãos
ambientais. Assim, essa pesquisa propõe investigar a relação entre entregas espontâneas de
animais silvestres e o tráfico de animais no estado de Mato Grosso, e estabelecer as
contribuições da Educação Ambiental para o tema. Para isso, foram realizados levantamentos
teórico bibliográficos que abordam a relação entre sociedade e tráfico de animais, legislações
ambientais, e a importância da fauna silvestre. Foi utilizado o método estudo de caso a partir
de dados quantitativos de entregas espontâneas de animais silvestres, fornecidos pelo
Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental-MT (BPMPA), utilizando como recorte
temporal o período entre 2015 e 2020. Esses dados foram tabulados no Microsoft Office
Excel, gerando imagens espacializadas das entregas no território estadual pelo software QGIS,
organizadas por microrregiões, biomas e bacias hidrográficas. Para os dados qualitativos foi
utilizado o método de Análise Textual Discursiva (ATD). Esses dados foram obtidos por meio
de questionários não-estruturados com 15 perguntas abertas, aplicados a dez policiais
ambientais do BPMPA que atuam com entregas espontâneas, sendo levantados o perfil dos
participantes, a rotina de trabalho no BPMPA, e as entregas voluntárias de animais silvestres.
O período de coleta de dados foi realizado entre agosto e dezembro de 2021. Dos 141
municípios mato-grossenses, somente 34 apresentaram entregas espontâneas registradas no
BPMPA. Nas regiões da porção centro-sul do estado houve maiores quantidades de registros
de entrega. O ano de 2018 registrou o maior número de entregas, ocorrendo a queda nesse
número nos anos seguintes, durante o período estudado. A classe das aves apresentou o maior
número de registros de entregas espontâneas, seguida dos répteis e dos mamíferos,
respectivamente. Não foi possível afirmar que todas as entregas espontâneas estejam
relacionadas às ações do tráfico ou crimes contra a natureza, a despeito de alguns indícios de
posse ilegal de animais silvestres por parte de alguns agentes entregadores. Ademais, existem
indicativos de domesticação de animais silvestres, em função de comportamento manso, além
de sinais de maus-tratos no corpo, possivelmente indicando situação de cativeiro. O principal
aspecto positivo associado às entregas espontâneas é a possibilidade de reintrodução dos
espécimes em seus hábitats naturais. Embora o tráfico de animais silvestres seja um problema
espacial relevante, pôde-se observar a escassez de pesquisas relativas a esses assuntos. A
Educação Ambiental é primordial na sensibilização quanto à temática. Assim, foi proposta
uma Ação Educacional pautada na problematização do tema associado a atividades lúdicas,
para ser desenvolvida na Educação Básica.


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