Título

Bem público ou bem de mercado: a educação ambiental em empresas de saneamento no Brasil

Programa Pós-graduação
Sociologia
Nome do(a) autor(a)
Ana Carolina Rubini Trovao
Nome do(a) orientador(a)
Maria Tarcisa Silva Bega
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A questão central desta tese é como as empresas de saneamento no Brasil incorporam a educação ambiental em suas agendas e com quais propósitos. A hipótese formulada foi a de que existem tensões entre sistemas de racionalidade e sistemas peritos que disputam legitimidade, espaço e recursos. Estas disputas refletem como a racionalidade do Estado neoliberal que, para além de seus traços tradicionalmente reconhecidos, se tornou um sistema normativo que estende a lógica do capital às relações sociais e, consequentemente, às instituições. Nessa conjuntura, alguns veem o acesso à água e ao saneamento como essenciais para o bem comum, enquanto outros percebem nele oportunidades de negócios. A educação ambiental pode se alinhar a qualquer uma das perspectivas e pode não abarcar plenamente os princípios da Política Nacional de Educação Ambiental. Segundo essa política, ela deve consistir em processos por meio dos quais indivíduos e coletividades construam saberes, valores e práticas que favoreçam a compreensão das realidades socioambientais de forma participativa, democrática e crítica. Esta tese analisa três eixos: políticas públicas ambientais, educação ambiental e saneamento. Para compor o seu campo analítico, foram selecionadas três empresas de saneamento brasileiras: a Copasa, a Sabesp e a Sanepar. A escolha se deu em função de serem empresas estatais de economia mista; da importância que têm no setor; por serem signatárias do Pacto Global e por publicarem Relatórios de Sustentabilidade. A pesquisa é qualitativa e exploratória e utiliza recursos online devido à pandemia de Covid-19. A disponibilidade de dados e documentos no universo online foi o que permitiu o enlace dos dados empíricos à malha teórica. Sobre esta, destacam-se a importância das ideias de cientistas e pesquisadores como Ulrich Beck, Grégoire Chamayou, Léo Heller, David Harvey, Henrique Leff, Gustavo Ferreira da Costa Lima, Lucie Sauvé, Pierre Dardot e Christian Laval. Foram realizadas entrevistas síncronas em profundidade com profissionais e pesquisadores das áreas de interesse e das empresas estudadas. A principal conclusão é que a educação ambiental é pouco efetiva para a transformação socioambiental o que contribui para que se perpetuem desigualdades sociais e injustiças ambientais. Nas empresas, poucos recursos financeiros, estruturais e de pessoal são destinados a este fim; há descaso e deslegitimação acerca das potencialidades da educação ambiental; as práticas são, frequentemente, orientações técnicas, prescrições de estilos de vida e escolhas pessoais que podem favorecer a conservação ambiental. Portanto, são próximas a uma agenda marrom, relacionada à gestão ambiental. Neste contexto de disputa em torno do saneamento como bem público e como bem de mercado, a educação ambiental se torna pouco efetiva para a transformação socioambiental.


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