Título
O Jeguatá e a etnofloresta Mbyá Guarani: a Educação Ambiental caminhando junto dos saberes indígenas
A presente dissertação pertence à Linha de Pesquisa de Fundamentos da Educação Ambiental.
Foi realizada junto a duas comunidades Mbyá Guarani do Rio Grande do Sul: a Tekoá
Yyrembé e a Tekoá Yvy’ã Poty. A partir da compreensão da Educação Ambiental como uma
ciência aberta à construção e renovação junto dos mais diversos modos de habitar o mundo,
os conhecimentos tradicionais Guarani são propostos como aliança necessária ao combate -
ou mitigação - dos impactos socioambientais atuais. A Etnografia, a observação participante e
o levantamento bibliográfico sustentaram a construção da pesquisa, assim como as
Epistemologias Ecológicas e a Educação da Atenção. Os modos Guarani de perceber, se
relacionar e produzir com/no ambiente embasaram a noção de Etnofloresta Guarani como um
emaranhado de relações em prol da biodiversidade. Os movimentos pelos quais a pesquisa se
deu e pelos quais a aprendizagem é proposta é o da caminhada, não apenas pela relação com o
trabalho de campo (onde a caminhada se faz presente em diversos momentos), mas também
pelo sentido cosmológico que os Guarani têm sobre o que chamam de jeguatá. A pesquisa
evidenciou (corroborando com os autores das Epistemologias Ecológicas) a não dualidade
entre ser e conhecer, produzir e habitar, entre homem e natureza, ensinar e aprender, o que nos
coloca diante da responsabilidade de construirmos pontes entre os saberes acadêmicos
hegemônicos e os conhecimentos tradicionais, construídos a partir da experiência e dos fluxos
junto à terra.