Título
Ciganos Kalon: pássaros livres entre voos e pousos na emergência climática e na educação ambiental
Nosso objetivo foi realizar uma pesquisa sobre a (in)visibilidade dos povos ciganos e as interfaces frente à crise climática. Por meio de estudos conceituais e de entrevistas, estabelecemos as conexões entre educação ambiental, justiça climática e modos de proteção aos ciganos/as, um grupo em situação de vulnerabilidade. Temos como aporte metodológico a cartografia do imaginário, que tem como base a fenomenologia de Gaston Bachelard, relacionando as fases de constituição desta pesquisadora conectada aos quatro elementos (água, terra, fogo e ar). A pesquisa considerou o contexto dos/as ciganos/as Kalon para entender a identidade, os hábitos, os habitats vivenciados e os desafios de ser cigano/a Por meio da realização de entrevistas abertas com ciganos/as Kalon, compreendemos como eles percebem a emergência climática e como o processo de destruição ambiental impacta a vida cigana. De acordo com os diálogos realizados com os ciganos e ciganas Kalon, os colapsos climáticos comprometem a sobrevivência, havendo uma brusca interferência negativa na construção dos saberes ciganos. Além dos prejuízos de ordem física, eles também enfrentam a discriminação, o preconceito, o racismo e a dificuldade de inclusão social. Se outrora os/as ciganos/as eram conhecidos como andarilhos, este cenário está em plena mudança, já que a destruição ecológica intervém na vida nômade, historicamente intrínseca nos modos de viver dos ciganos e ciganas. A pesquisa sustentou a tese de que é preciso dar visibilidade à existência cigana, que não resiste somente aos preconceitos culturais, mas é igualmente impactada pelas dimensões climáticas e ambientais. Assim, a tese em educação ambiental buscou promover o debate sobre a justiça climática, ou seja, construir caminhos pedagógicos para que as políticas públicas sejam mais sensíveis à inclusão social e à proteção ecológica, permitindo que os grupos ciganos consigam manter a autonomia de vida, tanto em seus territórios fixos, ou naqueles territórios percorridos na longa travessia de fazer, pensar, sentir e ser cigano/a.