Título
Comportamento ecológico dos licenciandos em química: uma proposta de curso para Educação Ambiental
Há décadas, as condições ambientais locais e globais exigem mudanças nas condutas humanas, pois muitos estudos apontam que o homem é o principal responsável pela deterioração atual dos recursos naturais (Arias, 2016; Cifuentes-Ávila et al., 2018; Sandoval, 2012), sendo que o seu Comportamento Ecológico (CE) pode alterar o equilíbrio dos
processos biológicos, químicos e físicos do meio ambiente. Logo, é indispensável conhecer e melhorar as ações antropológicas com o propósito de mitigar (ou frear, se possível) os danos causados pelo estilo de vida consumista da sociedade moderna. E, a Educação Ambiental (EA) se constitui em uma estratégia pedagógica adequada para transformar os costumes humanos em comportamentos mais sustentáveis que permitam a preservação do estado natural do meio ambiente por mais tempo. Nesse sentido, essa dissertação teve como objetivo conhecer o CE e a formação ambiental dos licenciandos em Química da UFMT campus Cuiabá (Brasil) a fim de contribuir com a melhora dessa formação. Para tanto, realizou-se uma revisão bibliográfica sobre as temáticas relacionadas ao CE e à EA. A metodologia está ancorada em uma abordagem epistemológica crítico-dialética, que defende a capacidade crítica, revolucionária e transformadora da sociedade, em que se faz necessário não somente conhecer o problema, mas agir para resolvê-lo. A presente pesquisa se sustenta em dois pressupostos: 1) o Comportamento Ecológico não é inato, pode ser aprendido, internalizado e
tornar-se parte da vida cotidiana; e 2) a Educação Ambiental influencia positivamente o Comportamento Ecológico das pessoas. Considerando ambos os pressupostos, formulou-se a seguinte pergunta de investigação: qual o Comportamento Ecológico e a formação ambiental dos licenciandos em Química da UFMT? Para respondê-la valeu-se da pesquisa de natureza mista, qualitativa e quantitativa, que indagou sobre as condutas ambientalmente corretas dos estudantes de graduação, utilizando a Escala de Comportamento Ecológico (ECE) formulada por Pato e Tamayo (2006), um questionário sobre a formação ambiental e entrevistas semiestruturadas com 10 futuros professores de Química. Os dados foram analisados pela triangulação metodológica que permitiu observar as convergências, complementações e divergências entre eles: a formação no tange a EA ainda é incipiente na licenciatura nem na UFMT; o CE dos licenciandos foi de 3.16 numa escala de 1 a 6; os fatores específicos mais fortes foram limpeza urbana e economia de água e energia; os mais fracos foram consumo-ativismo e reciclagem, pelo que a proposta pedagógica foi elaborada focando-se nesses fatores como problemas do CE (consumismo, descarte inadequado de resíduos, desperdício de recursos e poluição urbana e rural); a maioria das divergências foi encontrada entre o projeto pedagógico do curso e os resultados dos instrumentos aplicados; a intensidade horária em educação ambiental durante a graduação é mínima e insuficiente para gerar mudanças no CE de seus alunos; é urgente priorizar o ensino da correta separação de substâncias em laboratório, bem como incluir a reciclagem de materiais a partir de sua transformação física e química. Por fim, sugere-se avaliar o CE de acordo com o ciclo de consumo, uso e descarte dos recursos, adicionando um quarto fator relacionado à coexistência entre humanos e outros seres vivos, pois eles também fazem parte do seu ambiente.