Título
Os conjuntos residenciais Getúlio Vargas I e II: um exemplo de contra-hegemonia frente ao processo de expansão portuária no município de Rio Grande
Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em
Educação Ambiental e se enquadra na linha de pesquisa da Educação Ambiental Não
Formal. O objetivo foi compreender o processo de remoção de famílias oriundas de
uma ocupação urbana à luz da Educação Ambiental Transformadora, inspirada em
teóricos como Frederico Loureiro, Paulo Freire, Henri Acselrad, Ermínia Maricato,
Antônio Gramsci, entre outros, e sua relevância na construção coletiva de sociedades
sustentáveis. Em contextos marcados por alterações socioambientais, em que
comunidades em situação de vulnerabilidade social sofrem os impactos de um
processo de reassentamento urbano decorrente da expansão portuária, é importante
questionar como isso acontece e as ações desenvolvidas no campo da Educação
Ambiental em seu viés Transformador, com a finalidade de superar os desafios e
minimizar os efeitos negativos sofridos pela comunidade afetada, além de estimular
a formação de sujeitos cientes de sua posição social e das limitações que os oprimem,
contribuindo assim para um movimento contra-hegemônico. O desenvolvimento
marítimo/portuário localizado na cidade do Rio Grande, no estado do Rio Grande do
Sul, resultou em deslocamentos humanos em áreas próximas a esse
empreendimento e na construção de dois conjuntos habitacionais de interesse social
(Programa de Aceleração do Crescimento Bairro Getúlio Vargas - PAC-BGV),
localizados no bairro Getúlio Vargas e denominados como Conjuntos Residenciais
Getúlio Vargas I e II, mais conhecidos como BGV I e BGV II. Esses condomínios
surgiram devido ao crescimento das instalações retroportuárias. Enquanto ocorre um
grande aumento na geração de capital e no desenvolvimento de grandes empresas
multinacionais do setor portuário público/privado, simultaneamente, há uma
precarização das condições de vida das populações afetadas no seu entorno,
incluindo condições de trabalho e renda, acesso a bens materiais e a recursos básicos
para uma vida digna.