Título

Saberes tradicionais e narrativas míticas: da cosmologia do povo Shanenawa à educação ambiental

Programa Pós-graduação
Gestão Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Fabio Gimovski
Nome do(a) orientador(a)
Cintia Mara Ribas de Oliveira
Instituição IES
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Há uma riqueza social difundida entre povos indígenas que se configuram como
sociedades únicas, diferentes entre si, porém com interesses em comum, como direitos
coletivos, autonomia sociocultural e conservação do meio ambiente. Por meio da
territorialidade, a ancestralidade vive e se renova em cada relato, o que permite aos
povos, que mantêm a oralidade como meio de comunicação primordial, reavaliarem a
própria existência e encontrarem caminhos de convivência com a natureza. Neste
contexto, o presente estudo analisou o valor cultural da sociobiodiversidade local de um
povo indígena com base na ancestralidade, na territorialidade e na oralidade com vistas
à educação ambiental. O método para a pesquisa desenhou-se em natureza descritiva e
exploratória e em dois aspectos: o primeiro configurou-se pela natureza histórica, com
fontes bibliográficas, sendo a interpretação das informações coletadas nas publicações
científicas desenvolvida em diálogos com publicações literárias relacionadas ao assunto
principal. A partir da produção de autores indígenas e não-indígenas, exploraram-se as
implicações no desenvolvimento de conceitos e vivências relacionadas à educação
ambiental, caracterizada por se manifestar no modo de vida de comunidades tradicionais
e na sensação de pertencimento a terra. O foco dessa educação ambiental são as
profundas raízes que definem a identidade e mantêm-se em constante movimento, sendo
repassados conhecimentos de geração em geração. O segundo aspecto partiu de
perspectiva qualitativa, com coleta de depoimentos e observação de comportamento em
um estudo de caso na Amazônia, com indígenas da etnia Shanenawa, na aldeia Kene
Mera (Acre, Brasil). A coleta de dados em campo ocorreu pela ação direta em grupo
focal e entrevistas semiestruturadas, valendo-se o pesquisador de pesquisa etnográfica e
apontamentos por meio da arte, para conectar-se aos atores, bem como registrar e
integrar as proposições da pesquisa à educação ambiental. Em imersões guiadas por
pajés na Floresta Amazônica, foram realizados registros do uso de plantas medicinais e
sua relação com as narrativas míticas, que os mantêm em conexão íntima com os
elementos da natureza. Observou-se a necessidade de integração do conhecimento
tradicional, com vistas à educação ambiental, incluindo-se saberes ancestrais, como
caminho para a interpretação de sistemas socioambientais complexos. Conclui-se que o
reconhecimento dos povos originários no tocante à cultura, relações com a natureza e
saberes tradicionais implica na aproximação de um mundo possível capaz de fertilizar o
campo do conhecimento de construção teórica ampliando-o para um campo de
construção civilizatória. Essa aproximação advinda da cosmovisão resultou em uma
proposta denominada Educação Ambiental Orgânica com a finalidade de atuar na
conjunção de saberes ancestrais de povos indígenas e de conhecimentos
contemporâneos. O estudo tem aderência aos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015:
objetivo 4 - Educação de Qualidade: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e
todos; e objetivo 15 - Vida Terrestre: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável
dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a
desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.


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