Título
Educação do Campo e Educação Ambiental na Reforma Agrária Caminhos e Descaminhos percorridos nos Assentamentos Indaiás I, II, III e IV em Aquidauana/MS
A presente investigação transita pelos caminhos e descaminhos da educação oferecida às famílias camponesas, oriundas da Reforma Agrária, constatando a inexistência de políticas públicas para a Educação do Campo no âmbito do município de Aquidauana, Estado de Mato Grosso do Sul. O objeto de análise foi constituído pelos Assentamentos Indaiás I, II, III e IV, localizados na porção sudeste de Aquidauana, criados em 28 de dezembro de 2007, com capacidade para abrigar 253 famílias, constituindo-se na primeira experiência de assentamento da reforma agrária no município. A proposta dos assentamentos contou com a participação de quatro importantes movimentos sociais, resultando em quatro unidades de assentamentos. O Indaiá I, sobre o direcionamento da Central Única dos Trabalhadores/CUT; o Indaiá II, com a participação da Federação dos Agricultores Familiares/FAF; o Indaiá III, com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura/FETAGRI; e o Indaiá IV, coordenado pelo Movimento Sem Terra/MST. A base teórica está assentada em autores que dialogam com a Educação Ambiental Crítica, a Educação do Campo e as políticas de Reforma Agrária, entre os principais autores destacam-se: Paulo Freire (2021), Enrique Leff (2001), Miguel Arroyo (2014), Edgar Morin (2000), Salete Kozel (2007). Foram realizados levantamentos quantitativos junto ao site do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), coletados dados junto às Secretarias Municipais de Educação e de Planejamento, Urbanismo e Obras Públicas sobre a contextualização e o funcionamento dos assentamentos. Após a coleta de dados verificou-se a inexistência de escolas baseadas na filosofia da Educação do Campo para atender às famílias camponesas de Aquidauana. Apesar de se comprovar que nos projetos de criação de cada um dos assentamentos foi destinada uma área denominada núcleo urbano para a instalação de espaços coletivos, como escolas, igrejas, centros comunitários, constatou-se a ausência de escolas nos territórios dos assentamentos. Por consequência, a população em idade escolar residente nos assentamentos Indaiás é deslocada diariamente para escolas públicas localizadas no Distrito de Cipolândia ou na Terra Indígena Limão Verde. Além de percorrerem dezenas de quilômetros diariamente em busca da formação escolar, permanecendo mais de quatro horas dentro de veículos de transporte escolar (ida e volta), esses estudantes são conduzidos para instituições escolares vinculadas às políticas educacionais díspares da sua realidade cultural e social, cujas matrizes curriculares estão organizadas para atender às especificidades da modalidade da Educação Indígena e da Educação Básica da área urbana. Diante da realidade apresentada, tendo como problema de investigação a inexistência de políticas públicas para a Educação do Campo destinada à população assentada, propõe-se a implantação de uma escola no território dos Assentamentos Indaiás, apoiada em uma Matriz Curricular direcionada à população camponesa, produzida a partir da Pedagogia da Alternância, com o Tempo Escola e o Tempo Comunidade e com componentes que atendam a parte diversificada e específica dos currículos. Palavras-chave: Educação do Campo; Pedagogia da Alternância; Matriz Curricular; Escola do Campo; Especificidade do Campo.