Título
Agricultura familiar e mudanças climáticas (Brasil e Espanha): percepção e desafios emergentes da educação ambiental para a saúde planetária
O estilo de vida dos seres humanos tem levado o planeta ao seu limite biofísico. O
crescimento desordenado das cidades, o manejo inadequado dos solos, as emissões
de gases do efeito estufa e a exploração dos recursos naturais de maneira ilimitada
vêm desequilibrando os ecossistemas e aumentando os efeitos das Mudanças
Climáticas. O contexto deste estudo considera as previsões científicas que indicam
que os desastres naturais estão aumentando em frequência e intensidade, trazendo
insegurança alimentar, danos humanos e prejuízos financeiros, principalmente às
populações mais vulneráveis, como é o caso dos agricultores familiares. Assim, esse
estudo buscou primeiramente fazer um levantamento dos impactos dos desastres
naturais no Oeste do Paraná, utilizando como parâmetro as cidades de Cascavel, Foz
do Iguaçu e Toledo em uma pesquisa exploratória, documental e quali-quantitativa
para maior conhecimento do assunto e visualização mais aprofundada das
consequências da Emergência Climática. Em um segundo momento, a pesquisa
utilizou uma abordagem descritiva e qualitativa, por meio da captura das impressões
de agricultores familiares da região Oeste do Paraná (Brasil) e da Galícia (Espanha),
através de entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo, a fim de compreender
as percepções e demandas desses atores sociais sobre os impactos das Mudanças
Climáticas na produção de alimentos. Justifica-se estudar essas regiões por serem
áreas cuja agricultura familiar é pujante, tradicional e de grande potencial. E, por fim,
objetivou-se, por meio de pesquisa documental e investigação narrativa, encontrar
práticas pedagógicas de Educação Ambiental que contribuam para a criação de
agendas educativas e Políticas Públicas para o enfrentamento dos impactos das
Mudanças Climáticas no campo, com o propósito de melhorar a qualidade de vida dos
agricultores familiares, a construção de territórios sustentáveis e resilientes e
colaborar com a saúde planetária. Foi possível observar que as ocorrências de
eventos extremos afetaram muitas vidas, além causarem alto prejuízo financeiro. Ao
compreender como os agricultores familiares percebem essas alterações climáticas
em suas produções, refletiu-se sobre os desafios e demandas apontados para que
sejam valorizados e recebam a assistência necessária para seguirem produzindo
alimento de qualidade, de maneira sustentável, incluindo pensar formas de amenizar
os danos e melhorar a formação de cidadãos mais conscientes e com autonomia para
discutir as questões relacionadas à crise socioambiental. Isso posto, o trabalho
buscou agregar ideias e possibilidades de práticas pedagógicas sociais, acreditando
que a inserção da Educação Ambiental nas diferentes áreas da sociedade, em
especial na agricultura familiar, tem papel fundamental na expansão e sistematização
dos conhecimentos, para que haja uma reconexão entre humano-natureza onde a real
transformação aconteça, para que se privilegie a redução das desigualdades sociais,
a qualidade de vida e a justiça climática.