Título
A educação ambiental em escolas do município de Uberlândia (MG)
A preocupação com o meio ambiente é um tema de grande importância e tem ganhado bastante visibilidade nas últimas décadas, mobilizando lideranças mundiais, instituições e toda a sociedade civil para que revejam os modos de como o ser humano usa e interfere no planeta Terra, vez que a ciência já provou que seus recursos são finitos e se eles acabam, acaba também a humanidade. Este trabalho buscou conhecer a abordagem da Educação Ambiental nas escolas municipais da cidade de Uberlândia/MG, investigando como o tema está sendo tratado/trabalhado a partir de uma análise de documentos oriundos da própria Rede Municipal de Educação. Com isso, teve o objetivo de entender como a Educação Ambiental é tratada/trabalhada na rede, a partir de documentos, tendo como público-alvo a Educação Básica, mais especificamente, as turmas de Oitavos Anos do Ensino Fundamental. Como método, é uma pesquisa qualitativa, produzida com a perspectiva crítica em Educação Ambiental, que por sua vez, é baseada nos pressupostos do método Materialista Histórico Dialético, de Karl Marx. Os documentos analisados foram: o Plano Municipal de Educação; o Decreto nº.19.642, de 9 de março de 2022; as Orientações para as Ações Pedagógicas das Escolas em 2022; dois ofícios expedidos pela Secretaria de Educação/CEMEPE; e alguns Planos de Trabalho/Planejamentos Anuais de professores. Quanto aos resultados, o documento orientador da Secretaria de Educação/CEMEPE indica diretrizes e, também, defini eixos temáticos para a abordagem da Educação Ambiental na rede; além de determinar que os professores dos componentes curriculares Ciências da Natureza e Geografia sejam os principais responsáveis pelo desenvolvimento da temática. Além do que, para os professores que ministram tais componentes curriculares, o documento é base orientadora e deve ser contemplado na elaboração de seus Planejamentos Anuais. Quanto ao Decreto nº.19.642/2022, ele estabelece que a Educação Ambiental é para ser um componente essencial e permanente da educação municipal, expressando-a como objeto constante da atuação direta da prática pedagógica; e estipula que o Poder Público deve desenvolver ações de formação continuada para os(as) professores(as) em atividade na rede municipal. Por estar em decreto, sugerimos que o mesmo possa se tornar uma lei municipal para, por sua vez, tornar-se uma política de estado do município, assegurando com isso, a inserção permanente da temática nos currículos escolares, bem como na sociedade uberlandense. A partir das análises dos Planejamentos Anuais dos(as) professores(as), entendemos que eles se enquadram dentro da tendência racional, isto é, quando os professores abordam a Educação Ambiental por meio dos conhecimentos técnico-científicos de seus componentes curriculares, no caso, Ciências da Natureza e Geografia, fato bem comum, vez que a literatura aponta que a Educação Ambiental costuma ser abordada com caráter informativo e fica resumida à simples transmissão de conhecimentos científicos. Portanto, sugerimos que na formação continuada dos professores sejam adotas perspectivas pedagógicas que tenham na base o Materialismo Histórico Dialético, a exemplo da macrotendência crítica e da tendência histórica, pois estabelecem discussões e reflexões radicais para a prática pedagógica com a Educação Ambiental, considerando as dimensões sociais, culturais, políticas, históricas etc. no processo educativo diante das temáticas elegidas e valorizando a dimensão coletiva das pessoas/estudantes, articulando os conhecimentos científicos às questões socioambientais, fazendo menção e promovendo reflexões sobre a luta de classes e os determinantes do sistema de produção capitalista. Além disso, promovem reflexões entre natureza e humanidade considerando as múltiplas determinações do fenômeno estudado, entrelaçando nas discussões o ambiental conjugado ao social.