Título
Escola pública e área natural protegida: as perspectivas docentes sobre aprendizagem em ambiente natural
Os impactos das Mudanças Ambientais Globais (MAGs) assumem significados mais
profundos que a crise nos ecossistemas se integrados às dimensões social e
epistemológica. A perspectiva da complexidade oferece uma lógica capaz de
superar a fragmentação cartesiana que moldou as relações sociais e suas
expressões nesses impactos: se a educação pode transformar as relações sociais,
sua interação nos esforços de mitigação das MAGs, bem como como na criação de
Áreas Naturais Protegidas (ANPs), pode ser estratégica. A literatura demonstra que
o engajamento em atividades de Educação Ambiental (EA) nessas áreas faz com
que tais práticas propiciem tanto ganhos para os processos de aprendizagem na
educação formal, quanto novos significados para a existência das ANPs,
amplificando, com apoio da sociedade, seus esforços para a conservação. Nesse
contexto encontra-se o propósito desta pesquisa, que busca identificar quais as
perspectivas dos professores dos sistemas públicos do ensino básico sobre os
elementos que poderiam fomentar seu engajamento nas atividades educativas em
ANPs. Desenvolveu-se um instrumento para avaliação ampla que foi considerado
válido (ɑ-Cronbach=0,857), a partir de um modelo estável de interação entre eixos e
variáveis (CFI=0,965, RMSEA=0,052 e SRMR=0,060); Identificaram-se contrastes
estatísticos entre os escores de professores que frequentaram e que não
frequentaram atividades de EA em ANPs, tanto em relação à variável das
concepções sobre as atividades na ANP (pvalor<10-3), quanto ao eixo organização
interna das escolas para essas atividades (pvalor=0,019), mas não em relação ao eixo
do suporte da gestão educacional extrínseca à escola (pvalor=0,243). Em
complemento, entrevistas demonstraram que a participação nas atividades de EA
em ANPs é mais vinculada à subjetividade dos professores que possuem um vínculo
sólido com as atividades de preservação ambiental do que à provisão de condições
estruturais para o engajamento nessas atividades. Portanto, o estímulo a tais
atividades não será viabilizado somente por mudanças nas abordagens dos projetos
desenvolvidos, mas também pelo ajuste de aspectos estruturais da carreira dos
professores e da infraestrutura das escolas.