Título
Formação de professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental para uma perspectiva crítica da educação ambiental
Percebemos que as experiências vividas, o despertar da curiosidade, o poder de
observação e a necessidade de exploração por parte da criança contribuem para
uma aprendizagem significativa, ou seja, muitos dos conhecimentos adquiridos
nessa faixa etária permanecem para toda vida. Por isso os professores devem
estimular a criatividade, a crítica construtiva, o pensamento lógico, a
argumentação, os questionamentos, a interação com o outro, a fim de ampliar a
capacidade de viverem em sociedade. Diante disso, o presente estudo objetivou
investigar as contribuições de um processo formativo de professores dos anos
iniciais do ensino fundamental para a inserção da Educação Ambiental (EA),
com enfoque crítico, em suas práticas pedagógicas. Para tanto, foi ofertado um
curso de formação, com duração de dez horas, aos 09 professores dos anos
iniciais que atuavam, em 2022, numa escola do campo localizada num distrito
de Vicentina – MS. A pesquisa foi desenvolvida numa abordagem qualitativa,
na modalidade de pesquisa participante; o curso foi desenvolvido de forma
remota e elaborado, fundamentando-se na abordagem crítica da EA. Para coleta
dos dados foram utilizados áudios dos encontros realizados via aplicativo
Google Meet, além das informações advindas dos formulários preenchidos
pelos professores participantes e, sobretudo, dos resultados alcançados através
da elaboração de uma sequência didática direcionada à EA crítica. Para a
análise dos resultados, foi utilizada a Análise de Conteúdo. No levantamento
inicial acerca das percepções que os docentes têm sobre o termo meio
ambiente, ficou constatado a predominância da visão naturalista, uma vez que a
maioria relacionou o termo meio ambiente com natureza do ponto de vista
físico/biológico. Quanto a noção de EA, percebeu-se a presença da vertente
conservadora e pragmática no pensamento da maior parte dos professores
participantes, cujos relatos indicavam “o despertar de uma nova sensibilidade
humana para com a natureza, desenvolvendo-se a lógica do "conhecer para
amar, amar para preservar, bem como do preservar para não faltar. Em seguida,
foram desenvolvidos encontros com os professores de forma a possibilitar a
apresentação e a discussão acerca das concepções de meio ambiente
(naturalista, antropocêntrica e globalizante), das vertentes de EA presentes na
sociedade (conservadora, a pragmática e a crítica) e da organização de aulas
por meio de sequências didáticas; para isso, foram usados recursos diversos,
tais como: vídeos, imagens, formulários, tirinhas, fragmentos de textos e
trechos de pesquisas científicas, em aulas expositivas dialogadas, de leituras e
discussões de textos e de outros materiais. Ao final do curso, foi proposto que
os docentes elaborassem uma sequência didática direcionada ao aprendizado
sobre EA nos anos iniciais da educação básica. Ao longo do curso, foi possível
observar avanços entre os professores, os quais, em sua maioria, pareciam
conseguir identificar as diferentes concepções de meio ambiente e vertentes da
EA, começando a adotar novas terminologias demonstrando estar se
familiarizando com a temática, reconhecendo que a EA crítica tem respondido
às dificuldades vivenciadas no contexto atual. Por outro lado, ao se analisar as
sequências didáticas elaboradas pelos docentes participantes verificou-se,
apesar dos avanços, as dificuldades destes em selecionar conteúdos e em
organizar as ações docentes e discentes que possibilitem a transformação do
entendimento conservador e pragmático das crianças numa visão mais crítica
de EA. Dessa forma, acredita-se que o processo formativo realizado com os
docentes dos anos iniciais tenha contribuído de forma positiva com as práticas
pedagógicas dos professores, constituiu um princípio, a familiarização dos
participantes com esse tema tão atual e relevante.