Título

Questões socioambientais nas práticas docentes: (des)atando o nó górdio educacional em uma instituição escolar no entorno de uma Unidade de Conservação

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Luanne Michella Bispo Nascimento
Nome do(a) orientador(a)
Maria Inez Oliveira Araujo
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2023
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Entendendo a crise socioambiental contemporânea também como uma crise civilizatória, fazse
primordial atrelar o debatimento acerca da Educação Ambiental (EA) crítica enquanto
projeto educacional, a fim de que os processos educativos fomentem a reorganização societária,
em que todos assumam suas corresponsabilidades, e os educandos sejam capazes de refletir
sobre os principais problemas socioambientais, bem como para traçarem metas para enfrentálos.
Nesse sentido, na tentativa de fugir das lógicas dominantes, instituintes, homogeneizantes,
me propus a me alicerçar nos princípios da teoria da complexidade moriniana para pensar a
pedagogia complexa ambiental. Nesse intento, o objetivo geral da presente pesquisa foi
compreender a mobilidade dialógica circunscrita ao “nó górdio” das questões socioambientais
que vêm sendo (des)atados pelos educadores do Colégio Estadual Profa. Mª. das Graças
Azevedo Melo (CEPMGAM) após a implementação do Currículo de Sergipe. A pesquisa tem
caráter qualitativo, pois se caracteriza pela compreensão do fenômeno em análise no contexto
no qual se insere e ocorre. O método adotado foi a Etnopesquisa Crítica. A metodologia foi
dividida em pesquisa documental e trabalho de campo. A análise de dados foi feita mediante as
noções subsunçoras. Foram analisados documentos, tais como: Projeto Político Pedagógico,
planejamentos semanais do educador, projetos, questionários e entrevistas, Leis Ambientais
e/ou Educacionais e Currículo de Sergipe. Os sujeitos participantes da pesquisa foram as
equipes diretiva e docente do CEPMGAM. Como resultado, foi possível verificar o seguinte:
a) Nem todo educador do CEPMGAM tenta desatar os nós górdios das questões
socioambientais. Aqueles que o fazem empenham-se principalmente por meio de ações e
projetos significativos junto à comunidade. Entretanto, acabam caindo em armadilhas e
subterfúgios usados pelas políticas curriculares nacionais e sergipana. b) O Currículo de Sergipe
não aborda as questões socioambientais na perspectiva da EA crítica, bem como não contempla
as idiossincrasias da comunidade sergipana. Além disso, em conjunto com as políticas
educacionais, têm instituído armadilhas paradigmáticas, que têm tecido amarras invisíveis que
impedem os educadores de rumarem em direção a uma educação emancipadora. c) A APA
Morro do Urubu, diante da falta de envolvimento com a comunidade do CEPMGAM, e de seus
próprios conflitos, irresolutos há quase três décadas, também não representou ser um sujeito
(des)atador dos nós górdios das questões socioambientais. d) As políticas públicas ambientais
e educacionais, apesar de sua relevância nesse complexo emaranhando de nós, têm
diametralmente contribuído para que nenhum sujeito ou estrutura (des)atadores possam desatar
os nós górdios. Desta feita, têm tecido entrelaçamentos mediante decretos, projetos de lei,
resoluções, entre outras normativas, para assegurar que os objetivos da educação neoliberal
sejam cumpridos. Nessa perspectiva, ainda que os sujeitos envolvidos percebam o
emaranhamento que os impede de avançar nas direções que almejam, tais estruturas têm se
auto-organizado para que não possam romper com suas amarras. Requer-se, assim, uma ruptura
de paradigmas. No entanto, mesmo que estejamos longe de uma superação paradigmática
educacional, a pedagogia ambiental da complexidade auxiliará na construção da trajetória de
enfrentamentos das barreiras que surgirem.


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