Título
Áreas verdes urbanas como espaços pedagógicos de educação ambiental pós crítica
Nas escolas, ainda é observadaa oferta de uma educação informativa que desconsidera o sentir,
as emoções e os vínculos afetivos nas abordagens dentro do ambiente educacional, reforçando
um enfoque informativo e racional, que nos desvincula do ambiente natural para o conhecer.
Com isso, parte de nossa essência, que vem do ambiente, é perdida, modelo esse conhecido
como cartesianismo. Esta pesquisa buscou contribuir com argumentos e propostas que reforçam
a importância de ações que valorizem mais o sentir, as emoções e os vínculos afetivos nas
práticas educacionais, considerando que são elementos essenciais na efetivação de
planejamentos associados à educação ambiental. Para isso, procurou-se identificar, a partir do
perfil dos professores, se suas origens e áreas de formação interferem em suas práticas
pedagógicas relacionadas à educação ambiental; na sequência, reconhecer as principais
dificuldades encontradas pelos professores em relacionar as áreas verdes com suas práticas
pedagógicas e desenvolver um produto técnico-tecnológico, que possibilite aos professores o
vínculo com a natureza e com as áreas verdes urbanas, considerando-as como elementos e
espaços educadores em uma perspectiva de educação ambiental pós-crítica. A coleta de dados
foi realizada junto a três escolas da rede municipal da cidade de Sinop (MT) e os resultados
apontam que, mesmo vindo de vários estados brasileiros com culturas e modos de vida
diferenciados, a atuação dos professores ainda é muito semelhante. Os cursos de graduação e
pós-graduação não se mostraram efetivos em reverter séculos de ideais cartesianos, com uma
educação emparedada que apontou muitas dificuldades em oferecer aos alunos experiências
junto ao ar livre por medoe insegurança. Essa falta de contato com a natureza pode, inclusive,
agravar problemas como oTranstorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ideais
de progresso e desenvolvimento reforçam essa ideologia cartesiana do não envolvimento, e
acompanham o crescimento e a história das cidades, perpetuando a cultura do não envolvimento.
Atividades ao ar livre, que reconheçam o ambiente natural como espaço educador, são de
fundamental importância para essa quebra de paradigma. Romper com o emparedamento
escolar e integrar o aluno ao ambiente natural são ações urgentes e necessárias, constituem
importante estratégia a longo prazo para diminuição de problemas ambientais que necessitam
de mudança de comportamento social, além de minimizar, a curto prazo, problemas de falta de
atenção e hiperatividade encontrados nas escolas. Todos esses fatos apontam para a necessidade
de se pensar materiais e cursos de formação mais acolhedores, que resgatem primeiramente nos
professores esse relacionamento perdido, para que, assim, possam se envolver com a
natureza, formando vínculos e memórias afetivas, pois ao ouvir um professor compartilhar seu conhecimento, mais do que ouvir o que ele sabe sobre o que ensina, aprendemos a sentir o que
sente por aquilo que ensina.