Título
Vídeo Estudantil E Educação Ambiental: Possibilidades Didáticas Nos Percursos Formativos Docentes
Desde a década de 50 existem discussões acerca de questões ambientais e as consequências da destruição da natureza, bem como a necessidade de mudanças de comportamento da sociedade em relação ao meio ambiente. Por consequência, mudanças culturais requerem tempo para que sejam concretizadas, configurando-se em ações de longo prazo. Uma das maneiras mais eficientes que surge como uma possibilidade, na atualidade, é promover a Educação Ambiental (EA), ou seja, educar para criar uma maior consciência1 social, educacional e cultural. Nesta perspectiva, a Educação Infantil (EI) tem um papel fundamental na promoção de ações de prevenção da degradação ambiental e da sustentabilidade enquanto conceito, pois, se, desde os primeiros anos de vida, a criança aprende a lidar conscientemente com o meio ambiente, futuramente, este problema poderá ser minimizado. Grande parte do trabalho com a EI é realizado por professores formados em cursos de Formação de Docentes – Nível Médio. Nesse sentido, se faz necessário, refletir e aprender a trabalhar conscientemente a temática do meio ambiente e implementá-la nos percursos de formação docente. Assim, vislumbramos a projeção de um trabalho de conscientização/sensibilização ambiental e de sustentabilidade por meio de projeto de intervenção pedagógica, com a utilização de curtas e vídeo, como meio de abordar a temática sobre EA, para que este recurso seja melhor explorado pelos professores, na EI. Objetiva-se, assim, nesta pesquisa, avaliar as possibilidades didáticas do uso de curtas e a produção de vídeos estudantis autorais com alunos da Formação de Docentes – Nível Médio e com as professoras responsáveis pela disciplina de Prática de Ensino, do Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, no município de Santa Helena – Paraná. Questiona-se: quais as possibilidades didáticas do uso de curtas para abordar temáticas de Educação Ambiental nos percursos formativos docentes? A metodologia proposta é a qualitativa, por meio da pesquisa-ação, como preconiza Thiollent (2011) com a realização do projeto de intervenção pedagógica e utilizando como instrumentos de coleta de dados: as Questões geradoras, os Questionários via Google Forms e, as produções de vídeo estudantil autorais. Como metodologia de análise de dados, utilizamos a Análise de Conteúdo (Bardin, 2006). Foram analisados dados socioeconômicos de 32 participantes da pesquisa, sendo 24 mulheres e 8 homens, com idades de 14 a 47 anos, num período de dois meses. O grau de instrução corresponde a 30 participantes com o Ensino Médio Incompleto e 2 com especialização. Das Questões geradoras o conceito de EA que prevalece é toda Educação relacionada ao meio ambiente que tem o foco da preservação do mesmo, correspondendo a Macrotendência Pragmática. A pesquisa foi composta por duas etapas: o VER e o FAZER. O VER relaciona-se as possibilidades de uso dos curtas na EI. O FAZER é composto pela produção dos vídeos autorais. Das análises realizadas por meio do aplicativo Voyant Tools, emergiram 3 categorias que envolvem o VER e o FAZER: o uso de curtas nos percursos formativos docentes; curtas e EA e Possibilidades didáticas do uso de vídeos para abordar temáticas de EA nos percursos formativos docentes (FAZER). No VER, o uso dos curtas demonstrou que 1Supondo a perspectiva fenomenológica, segundo a qual consciência se caracteriza pela intencionalidade, que é esta “misteriosa e contraditória capacidade humana de distanciar-se das coisas para fazê-las presente,” ou de ser a “presença que tem o poder de presentificar” (Freire apud Fiori, 2010, p. 86). ele deve ser analisado na íntegra para que não dificulte ou direcione para aquilo que não se busca, que há a possibilidade de utilização para trabalhar a EA na EI. No FAZER, os participantes demonstraram a possibilidade de autoria dos vídeos, sobre temáticas relativas à EA; em relação ao processo de aprendizagem, a metodologia de trabalho cumpre de forma primorosa sua função. Os dados levantados poderão contribuir com ações para a melhoria dos processos de trabalho pedagógico, para a elaboração de políticas públicas, de apoio aos professores em relação a formação continuada em EA, e, consequentemente, melhorar a integração entre estudantes, professores e sociedade.