Título

Plantas alimentícias silvestres e a transposição didática de conhecimentos locais na educação básica em comunidades rurais no interior do Nordeste Brasileiro

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente Ufpi-Ufrn-Fufse-Uesc-Ufpb/jp-Ufersa
Nome do(a) autor(a)
Mirna Andrade Bezerra
Nome do(a) orientador(a)
Francisco Soares Santos Filho
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

As plantas alimentícias silvestres (PAS) nascem espontaneamente e têm sido utilizadas por comunidades tradicionais e locais em tempos de escassez de alimentos e/ou para a complementação dos hábitos alimentares. A transmissão de conhecimentos entre gerações permite o fluxo e perpetuação das informações dos mais experientes para os mais jovens. No entanto, há uma problemática quanto à perda de saberes que pode ser superada mediante a integração dos conhecimentos científicos e tradicionais com o envolvimento das comunidades, estudantes e a mediação dos docentes. Desta forma, esta pesquisa objetiva analisar as representações sociais dos professores da educação básica sobre a mediação e as possibilidades de aplicação dos conhecimentos de plantas silvestres utilizadas como alimentícias, sendo eles pertencentes ou não às comunidades rurais, valorizando o discurso e a transposição didática para o resgate dos saberes locais e o desenvolvimento da educação ambiental. Foram realizadas revisões científicas sobre a biodiversidade de PAS terrestres e aquáticas com potencial subutilizado, tendo por base estudos etnobotânicos, com ênfase nas espécies encontradas no semiárido brasileiro. A partir desta análise, na qual foram identificadas plantas comumente utilizadas pelas populações, investigações anatômicas e histoquímicas foram realizadas no pecíolo e folhas de Bromelia laciniosa, Hymenaea courbaril, Psidium guineense, Talinum paniculatum e cladódio de Cereus jamacaru com a finalidade de indicar estruturas secretoras que produzem compostos úteis para a alimentação. Tendo em vista o distanciamento e redução das relações homem e natureza, percebe-se a importância de inserir a escola e principalmente, professores como mediadores de abordagens educativas, interdisciplinares no desenvolvimento de conteúdos relacionados às PAS. Para isso, desenvolveu-se entrevistas semiestruturadas com professores da educação básica, pertencentes ou não as comunidades rurais. Realizou-se a análise das representações sociais e a construção do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) que nos permite constatar que os docentes consideram positivas e relevantes as possibilidades de aplicação do conhecimento local sobre PAS na construção da educação ambiental. Diante disso, as narrativas também foram embasadas em documentos e legislações relevantes para área educacional e ambiental com o objetivo de identificar de que forma os professores podem transpor didaticamente o conhecimento para crianças, adolescentes e jovens. Foram realizadas ainda, entrevistas somente com docentes que pertencem às comunidades rurais do município de Viçosa do Ceará, especificamente de Passagem da onça, sítio Tucuns e Bom tempo. Considera-se que os docentes pertencentes às comunidades rurais podem realizar a transposição didática desenvolvendo uma aprendizagem contextualizada sobre as PAS que fizeram ou ainda fazem parte da sua alimentação em momentos variados da vivência estabelecendo correlações com o meio ambiente. A valorização dos saberes locais sobre os usos das plantas silvestres pode ser combinada com a educação ambiental formal e não-formal, relacionando-as aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com a mediação do professor, partindo do reconhecimento de que a discussão desta temática em diferentes contextos, mostra-se relevante para a formação integral do estudante e fortalecer os elos de pertencimento do indivíduo ao seu lugar.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades